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O Brasil dos quatro atacantes que não sofre gols. Porque todos defendem

André Rocha

14/08/2016 00h58

Foi um jogo diferente. Pela rivalidade recente com a Colômbia, por ser o primeiro confronto eliminatório na Olimpíada e pela torcida paulista, quase sempre ácida com a seleção brasileira, apoiando o tempo todo na Arena Corinthians.

O gol de Neymar de falta aos onze minutos ajudou. A única finalização no alvo no primeiro tempo – cinco brasileiras, quatro colombianas. Atrapalhou o clima bélico que podia ter rendido um vermelho a Neymar pelo destempero porque o rival não teve fairplay. O capitão brasileiro cavou três dos quatro cartões amarelos do oponente, fora o próprio.

Não teve jogo em 45 minutos. Pior para o Brasil, pois sobravam espaços entre os setores colombianos, mas o quarteto ofensivo errava nos contragolpes por pura tensão.

No segundo tempo, com o perigoso Borja, meteoro artilheiro do Atlético Nacional campeão da Libertadores, a disputa foi tática. E aí saltou aos olhos o trabalho coletivo da equipe de Rogerio Micale. Especialmente sem a bola.

O 4-2-3-1, ou 4-2-4 ganhou solidez com Gabigol e Gabriel Jesus pelos flancos, Neymar e Luan centralizados. Em tese, quatro atacantes. Na prática, todos participam da pressão no campo adversário ou voltam na recomposição e defendem em trinta metros. A entrega de Jesus pela esquerda foi impressionante. Para pulverizar todos os clichês.

Protegidos ou expostos quando as linhas avançam, Marquinhos e Rodrigo Caio estiveram perfeitos. Rápidos nas coberturas, corretos na saída de bola, atentos no jogo aéreo. O zagueiro do PSG um pouco acima do são-paulino, que ainda hesita em alguns momentos. Mas não compromete.

Atuação madura na segunda etapa, controlando com Thiago Maia no lugar de Gabriel para fazer dupla com Walace, liberar Renato Augusto e transferir Luan para o lado direito. Autor do segundo, com passe de Neymar. Golaço encobrindo Bonilla para premiar a consistência. Do gremista e da seleção.

A Colômbia, mesmo eliminada, consolida o bom momento e pode ter uma geração do mesmo nível ou superior à atual. Não por acaso manda no continente no universo dos clubes.

Mas é o Brasil que avança às semifinais contra Honduras. Maduro para compensar o nível técnico pouco abaixo na partida e com os zagueiros voando no time que não sofre gols. Porque todos trabalham.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.