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Na estreia de Luxemburgo, a clara divisão entre jogo tático e o aleatório

André Rocha

01/06/2017 00h30

Vanderlei Luxemburgo comandou um treino no Sport para o jogo de volta, em casa, pela Copa do Brasil. Na prática, a única contribuição seria na motivação natural pela mudança no comando técnico. Não há como alterar o modelo de jogo em dois dias.

Por isso a nítida superioridade do Botafogo enquanto o jogo se desenvolveu mais no aspecto tático e estratégico que no psicológico. Mesmo com o sentido desfalque do suspenso Bruno Silva no meio-campo, Jair Ventura manteve a estrutura tática com João Paulo no lado direito e Aírton e Lindoso no centro da segunda linha.

Velocidade nos contragolpes. Até com Roger mais rápido que a lenta dupla Matheus Ferraz e Durval. Assim marcou o golaço no toque por cobertura. Também acelerou e passou para Pimpão marcar o gol absurdamente mal anulado, que podia ter definido a partida e o confronto. Nitidamente atrás da linha da bola.

O Sport adiantava as linhas num 4-2-3-1 que sofreu com um problema que vem desde os tempos de Eduardo Baptista: os ponteiros, no caso Everton Felipe e Rogério, recuam muito para fechar os flancos e deixam Diego Souza e André na frente, que não conseguem fazer a transição ofensiva ganhar velocidade. O time rubro-negro não tem fluência.

Piorou com a tola expulsão de Rogerio, repetindo a final da Copa do Nordeste. Luxemburgo, que tirou Everton Felipe e colocou Lenis ainda no primeiro tempo, preparava Marquinhos para a vaga do ponteiro e precisou esperar e mudar a substituição, tirando Fabricio, improvisado na lateral direita.

E aí veio o erro do Botafogo. Com vantagem no placar e um homem a mais, desconcentrou. Perdeu intensidade e vontade de contra-atacar. O Sport tentava pela obrigação, mas sem nenhuma coordenação. Até achar o gol com Durval na jogada aérea.

O jogo resolvido virou drama por entrar na aleatoriedade. O time visitante recuou demais, trocou Roger por Guilherme, que pecou pelo individualismo em dois contragolpes. O Sport, no grito da torcida, despejou bolas na área – foram 34 cruzamentos no total. Fez o goleiro Gatito Fernández trabalhar.

O Botafogo viveu no fio da navalha e só respirou nos acréscimos, com o nítido cansaço no gramado encharcado da equipe de Luxemburgo, que já notou que vai precisar subir a ladeira para tornar o Sport competitivo. Na disputa tática, o Botafogo sobrou. Mas deixou o jogo ser arrastado para a "loucura" e quase volta para casa sem a vaga nas quartas da Copa do Brasil.

Impressionante como acontece em todo mundo essa virada de chave na reta final das partidas. No Manchester United era chamado de "Fergie Time". Quando a organização vai para o espaço e tudo fica na base da emoção. E aí não basta ser bem treinado.

Jogo dividido. Um a um. Obra do futebol tão plural e imprevisível.

(Estatísticas: Footstats)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.