PUBLICIDADE
Topo

No "clássico brasileiro" na Champions, o melhor em campo é da geração belga

André Rocha

26/09/2017 19h07

No Etihad Stadium, três brasileiros do lado do Manchester City entre os titulares – Ederson, Fernandinho e Gabriel Jesus – mais Danilo no banco de reservas. No Shakhtar Donetsk, a legião de sempre: Ismailly, Fred, Marlos, Taison e Bernard na formação inicial e Dentinho, Márcio Azevedo e Alan Patrick como suplentes.

A novidade de Pep Guardiola foi o meio-campista Fabian Delph improvisado no lugar do lateral esquerdo Mendy. Mas apoiando por dentro, enquanto Sané, mantido entre os titulares, ficava bem aberto para esgarçar o sistema defensivo adversário. No lado oposto, a lógica inversa: o lateral Walker abrindo o campo e Gabriel Jesus procurando infiltrar em diagonal e se juntar a Aguero no centro do ataque. Variações por características dentro da proposta de jogo na execução do 4-3-3.

O time ucraniano se fechava com duas linhas de quatro compactas mantendo Taison mais adiantado, próximo ao argentino Facundo Ferreyra, atacante único do 4-2-3-1 armado pelo português Paulo Fontes. Fred, convocado por Tite na última lista, era o responsável por fazer a bola chegar ao quarteto ofensivo. Pelas pontas, o canhoto Marlos pela direita e Bernard, destro, à esquerda.

Shakthar que em nenhum momento abdicou de jogar, terminando com 46% de posse. Mas no início foi amassado pela pressão intensa do time inglês na saída de bola e muito volume de jogo de uma equipe que ataca por todos os lados. Especialmente pela qualidade no meio-campo. Fernandinho comandando a saída de bola, David Silva distribuindo e triangulando com ponteiro e lateral, normalmente à esquerda.

O destaque absoluto, porém, foi Kevin De Bruyne. Mais uma vez. Com seu passe vertical, sua visão de jogo privilegiada, a movimentação inteligente sempre dando opção para o passe. Faz o time de Guardiola jogar. Nem tão feliz na finalização quando Gabriel Jesus iniciou contragolpe veloz interceptando passe e arrancando até servir o belga, que colocou mal e permitiu defesa de Pyatov.

Mas quando foi o meia quem interrompeu a saída para o ataque do Shakhtar, a transição ofensiva rápida encontrou o camisa 17, que colocou no ângulo para abrir o placar e descomplicar o jogo. Consolidando o amplo domínio do time azul de Manchester na segunda etapa.

Inclusive com pênalti – que este que escreve não marcaria por considerar normal o choque entre Sané e o zagueiro Ivan Ordets – cobrado por Aguero para defesa de Pyatov. Sterling substituiu Jesus, de atuação sem brilho mas importante na movimentação e no trabalho coletivo, e definiu os 2 a 0 no final em mais um contra-ataque letal. Assistência de Bernardo Silva, que substituiu Aguero e trabalhou como uma espécie de "falso nove". Outra experiência do treinador catalão.

Desta vez não houve goleada, mas pelas estatísticas não seria nenhum absurdo. Foram 14 finalizações, oito no alvo. Apenas quatro do Shakhtar, metade na direção da meta de Ederson. De qualquer forma, os três pontos colocam o City na liderança do Grupo F e confirmam o ótimo início de temporada. No ritmo de Kevin De Bruyne.

No "clássico brasileiro" na Liga dos Campeões, o melhor em campo foi um grande talento da geração belga que costuma ser alvo de chacota pela falta de grandes títulos. Como se o país fosse da primeira prateleira do futebol mundial em termos de conquistas.

Não é, mas conta com um meia raro, que o Brasil, por exemplo, só tem em Philippe Coutinho um jogador do mesmo nível no futebol mundial. Exaltado por Guardiola e admirado por quem ama o esporte sem preconceitos.

(Estatísticas:: Footstats)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.