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Arbitragem e seus erros são a "muleta" que ninguém quer largar

André Rocha

06/11/2017 17h15

Quem vence não reclama, por motivos óbvios. Mesmo sabendo que mais à frente pode vir a chorar. No caso dos times mais poderosos, como acontece em todo mundo, há a certeza de que, na dúvida, ninguém vai querer ficar na alça de mira de quem pode colocá-lo na geladeira. É humano.

Quem perde tem o álibi perfeito para desviar o foco das próprias deficiências. E a torcida aceita, ou deixa para cobrar mais à frente, e faz coro. Principalmente na derrota para o rival. Admitir a inferioridade na partida e o mérito "deles" é duro. Quem tem um time de coração sabe bem. O "choro" é um porto seguro, quentinho. E quanto mais reclama, maior a chance de ser beneficiado na próxima partida.

O grosso da mídia tem o assunto preferido, porque não precisa analisar o jogo – as virtudes e defeitos das equipes, o que cada uma fez em tática e estratégia para tentar vencer. Concentra tudo na arbitragem, na repercussão e na polêmica. Sempre gera mais audiência.

Para os teóricos da conspiração também é um prato cheio, transbordando. Sempre há um esquema, uma mala branca ou preta. Uma ficção. Ou realidade, porque às vezes temos mesmo manipulação de resultados. A história mostra.

Para o próprio árbitro não deixa de ser uma chance de ganhar visibilidade. Ou alguém nota e comenta o trabalho sem erros e discreto do mediador e sua equipe? Nunca duvidemos da nossa vaidade inconfessável…

Por isso há resistência de tantos quanto ao uso do vídeo para sanar dúvidas e tomar a melhor decisão. "Tira a graça do futebol, acaba com o molho, a discussão no bar". Como se isso fosse mais importante que premiar quem investiu, trabalhou corretamente e pode ficar sem tudo que proporciona uma conquista pela falha de um homem e todas as suas limitações. Decisões que podem mudar a história do esporte, até de um país.

Árbitro que nem profissional é. Outro tema empurrado com a barriga por todas as partes envolvidas. Porque, no fundo, não interessa. É preciso ter a lacuna que os outros esportes tentam minimizar. O erro, tão importante e confortável neste cenário caótico. Seja para o "chora mais" como para o "fui roubado". A "muleta" que ninguém quer largar.

Tudo muito conveniente. E medíocre, infelizmente.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.