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As três lições do passeio do Grêmio tricampeão da América

André Rocha

30/11/2017 00h07

O golaço de Luan foi emblemático no passeio do Grêmio no primeiro tempo da vitória por 2 a 1 sobre o Lanús em La Fortaleza. Velocidade, técnica e confiança diante de um rival atordoado. Para encaminhar o tricampeonato da Libertadores.

Uma conquista que deixa três grandes lições para o futebol brasileiro:

1 – A identidade

O Grêmio tem uma forma de jogar. E não importa mais se tem a assinatura de Roger Machado ou de Renato Gaúcho. Porque depois dessa conquista é difícil imaginar o clube abandonando essa ideia de jogo apoiado, vocação ofensiva e valorização da qualidade técnica, simbolizada especialmente por Arthur e Luan. Com fibra e entrega, mas sem exagerar no culto à truculência, ao jogo físico e menos bonito que costuma se impor no sul do país. No primeiro tempo fantástico em Lanús, foram 10 finalizações com apenas 45% de posse de bola. Seis desarmes certos contra nenhum do Lanús.  Talento, eficiência e vontade.

2 – A personalidade

"Nós somos o Grêmio, não o River Plate". Se Renato Portaluppi teve um papel preponderante na decisão, foi o de transmitir a confiança de maior ídolo e campeão sul-americano e mundial em 1983. O Grêmio só se entrincheirou no final, depois das lesões de Arthur e Bressan e da expulsão de Ramiro. Se entrasse assustado não aproveitaria o desespero do time argentino nos primeiros 45 minutos. Marcou em dois contragolpes, o primeiro em grande arrancada de Fernandinho, mas nunca deixou de jogar no ataque.

3 – O foco no jogo com calma

Não há razão para entrar na pilha dos argentinos, enfrentar na Libertadores como quem vai para uma guerra. Como o próprio Grêmio nas duas finais que perdeu, para Independiente e Boca Juniors. Hoje há câmeras por todos os lados, qualquer ilegalidade será observada. Basta jogar futebol. Com intensidade e concentração. Duro, mas na bola. Quando o Lanús percebeu que o tricolor gaúcho não sairia de sua proposta entrou em parafuso. Desta vez foram os "hermanos" a se apequenar numa final de Libertadores. Porque viu do outro lado a calma e o foco no que é essencial: o jogo.

Por isso o futebol é tão apaixonante. Quem diria que, em setembro de 2016, um contrato com Renato Gaúcho vindo da praia, como ele disse, por apenas três meses num ano de eleição no clube terminaria nos títulos de Copa do Brasil e Libertadores. O que parece impossível sempre pode acontecer para queimar dedos e línguas.

Parabéns, Renato! Primeiro brasileiro campeão como jogador e treinador Comemorem, tricampeões! Mas nem tanto, porque ainda tem o Mundial Interclubes. Quem agora vai duvidar que o planeta pode voltar a ser azul depois de 34 anos?

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.