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Por que Guardiola valoriza tanto a liga e o que o Arsenal quer com Wenger?

André Rocha

01/03/2018 19h23

Mais um 3 a 0 longe em Londres sobre o Arsenal. O primeiro em Wembley rendeu o título da Copa da Liga Inglesa, o primeiro de Pep Guardiola no comando do Manchester City. Agora no Emirates Stadium ratifica a liderança absoluta com 16 pontos de vantagem. Praticamente impossível tirar essa vantagem em dez rodadas, ainda mais com os citizens encarando Chelsea e United no seu estádio. Só não dá para garantir porque é futebol.

Ainda que bola não falte à equipe que sobra no país e joga o futebol mais consistente da Europa. Cada vez mais versátil, capaz de fazer gols como o de Aguero completando lançamento longo do goleiro Ederson ou de David Silva nesta segunda partida finalizando bela troca de passes. Time letal com ou sem posse, pressionando a saída de bola rival e sabendo acelerar dentro do padrão do futebol jogado na Inglaterra. Guardiola conseguiu em 100 jogos como treinador do clube.

A cada rodada mais absoluto. 24 vitórias, três empates e ainda a derrota solitária para o Liverpool. 89% de aproveitamento. Melhor ataque com incríveis 82 gols, 17 a mais que o dos Reds. Defesa menos vazada com 20 junto com os Red Devils de Mourinho. Líder em posse, mas também em vitórias no jogo aéreo, finalizações e qualidade nos passes. Completo.

Porque Guardiola valoriza a liga, como confirmou esta semana em entrevista que a prioridade nesta temporada é a Premier League. Exatamente por não permitir que uma noite ruim elimine a melhor equipe. É a certeza da premiação do trabalho bem feito. Jogo a jogo, estudo a estudo do adversário. Não por acaso vai para a sétima conquista em nove disputas nacionais com Barcelona, Bayern de Munique e agora com o City. Fazendo o time evoluir e o desempenho construir resultados. Como deve ser.

Como Arsène Wenger não faz mais no Arsenal. Sexto colocado, oito pontos atrás do Chelsea, o quinto. Fora até da zona de classificação para a Liga Europa. Por mais que doe criticar o homem que ajudou a resgatar o Arsenal e evoluir o jogo na Inglaterra, o tempo passou para o francês. O olho clínico para jovens talentos, a vocação ofensiva e o estilo empolgante ficaram pelo caminho e a direção do clube não percebeu que os Gunners não podiam sonhar tão pequeno.

A realidade é que o Arsenal hoje é um clube morno, mesmo para o padrão europeu de manutenção do trabalho de treinadores/managers. Não entra mais na rota dos grandes jogadores, ainda que tenha trazido nomes como Lacazetti e Aubameyang. Mas a falta de ambição e a manutenção numa "zona morta" sem mudanças apequenaram um gigante inglês que se contenta com as copas nacionais e luta por vaga na Champions. Ultimamente sem sucesso. Está acima de qualquer questão técnica ou tática. Um olhar mais atento para o campo é suficiente para perceber que não vai a lugar algum.

Com os cinco times do país com chances de chegar às quartas da Liga dos Campeões o abismo fica claro. Diante do City de Guardiola mais ainda. Afinal, o que o Arsenal ainda quer com Wenger?

(Estatísticas: WhoScored.com)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.