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Peru eliminado jogando bem de novo, mas França parece encontrar o time

André Rocha

21/06/2018 14h31

O Peru de Ricardo Gareca não repetiu o domínio na estreia contra a Dinamarca, nem teve a bola do jogo como no pênalti desperdiçado por Cueva. Mas jogou bem novamente. 56% de posse, boas oportunidades, chute no travessão. Força pela direita com Advíncula e Carrillo. Mas das dez finalizações acertou apenas duas na direção da meta de Lloris.

É o problema de ter Paolo Guerrero. Artilheiro da seleção peruana, mas repete uma dificuldade que sempre o acompanhou na carreira: precisa finalizar muito para fazer gol. Em um jogo mais parelho complica. Pior foi perder a bola na pressão francesa logo após a perda. Pogba roubou, acionou Giroud e, no rebote de Gallese, gol de Mbappé.

Para consolidar o bom primeiro tempo francês. Ganhou consistência com as mudanças. Didier Deschamps desfez o 4-3-3 da estreia e montou um 4-2-3-1 com Giroud na referência e Matuidi executando uma função importante pelo posicionamento. "O ponta-volante". Ou seja, o que Ramiro executa no Grêmio. Joga pelo lado, mas atua mais próximo da dupla de meio-campistas que dos seus companheiros do quarteto ofensivo.

A entrada deu o corredor para o lateral Hernández, que apareceu bem na frente em alguns momentos e desperdiçou boa oportunidade aparecendo no ataque. Também liberou a mobilidade de Mbappé e Griezmann em torno de Giroud. Arredondou o modelo de jogo com mais solidez atrás e verticalidade na frente. Com 44% de posse finalizou 12 vezes, metade no alvo. Destaque para os cinco desarmes, as duas interceptações e apenas dois passes errados em 46 de Kanté.

Sofreu na segunda etapa e não conseguiu melhorar a transição ofensiva com Dembelé e Fekir, que substituíram Mbappé e Griezmann. Mas passa também pelo volume de jogo do adversário. Algo a ser ajustado contra a Dinamarca já pensando nas oitavas de final. Ainda assim, fica a impressão de que Deschamps encontrou uma formação que pode e deve ser repetida mais vezes. Para enfim confirmar no campo a força da França no papel.

França no 4-2-3-1 com Giroud na frente e Matuidi como "ponta-volante" pela esquerda dando liberdade para Griezmann e Mbappé, abrindo o corredor para Hernández e fechando o setor forte do Peru com Advíncula e Carrillo. A seleção de Gareca novamente teve volume de jogo, mas perdeu chances e falhou atrás (Tactical Pad).

(Estatísticas: FIFA)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.