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O VAR incomoda e tem erros, mas é caminho sem volta para o bem do jogo

André Rocha

25/06/2018 19h02

A polêmica com dois pênaltis e uma não expulsão de Cristiano Ronaldo confirmadas pelo uso do árbitro de vídeo no empate por 1 a 1 entre Portugal e Irã explodiu os protestos contra o uso do VAR. Reclamações quanto à demora nas decisões e na utilização em lances interpretativos.

Justas e legítimas. Críticas são sempre saudáveis para evoluir qualquer processo, ainda mais no início da implementação. O problema é a condenação.

Algo até humano. Porque somos naturalmente avessos às mudanças. Ainda mais no esporte mais popular do planeta, fonte de entretenimento para a maioria das pessoas. "Para que mudar e enfiar um corpo estranho em algo que me relaxa e diverte?"

Mas neste caso é muito necessário. Toda atividade precisa do uso de toda tecnologia disponível e viável para minimizar erros. Não acabar com eles, porque o comando ainda é de humanos, falíveis por natureza. Mas com cada vez mais dinheiro e interesses envolvidos, deixar tudo por conta apenas dos olhos dos árbitros simplesmente não faz sentido. Pode tirar o título de quem venceu de fato. Mudar vidas, destinos. O próprio esporte.

Quem tem mais de 40 anos, como este que escreve, certamente passou pela computadorização do ambiente de trabalho. Mudança de sistemas e todo tipo de modernização. Era duro e a maioria colocava o defeito que havia e o que não existia e suplicava para voltar ao sistema antigo. Porque poderíamos seguir fazendo sem pensar, com o cérebro em "standby".

Mas em 99% dos casos, com o tempo, víamos as possibilidades de melhorar o trabalho. O tempo é aliado, sempre. Será também com o VAR. Normal haver erros neste início. Justa o questionamento de começar efetivamente numa Copa do Mundo, com tanto em jogo. Já são 19 pênaltis no Mundial na Rússia, dez assinalados com a ajuda do vídeo. É muito.

Mas exigir o fim ainda nos primeiros passos, mesmo com seus tropeços, é criar um mundo paralelo para o futebol. Parado no tempo. Com todo respeito, soa até obtuso. Felizmente é, ou ao menos parece, caminho sem volta. Para o bem do jogo.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.