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O Brasil da concentração cumpre sua missão. Nesta Copa do Mundo não é pouco

André Rocha

27/06/2018 18h15

Marcelo sentiu com dez minutos e o Brasil perdeu outro lateral e mais uma liderança, técnica e no vestiário. Seria um baque para qualquer equipe do mundo, até para o Real Madrid tricampeão europeu e melhor time do planeta.

Entrou Filipe Luís e, apesar de mostrar novamente dificuldades na transição e na construção ofensiva no primeiro tempo, uma coisa saltava aos olhos: a impressionante concentração, especialmente da dupla Thiago Silva-Miranda. Mas também da recomposição no 4-1-4-1, ainda que Neymar não retornasse pela esquerda e deixasse Filipe sozinho com suporte do Casemiro e a cobertura de Miranda.

Controle do jogo até Philippe Coutinho encaixar um passe primoroso para Paulinho às costas de Sergej. Gabriel Jesus atraiu os zagueiros na jogada e ao longo da partida se destacou pela dedicação no trabalho coletivo. Inclusive na volta pela esquerda.

Neymar foi maduro. Sem se jogar e reclamar, prendendo a bola apenas com o jogo decidido, buscando seu gol. Ainda cobrou escanteio na cabeça de Thiago Silva no gol que fechou os 2 a 0. Boa atuação, ainda que não no nível que pode render. Às vezes dá a impressão de ser subaproveitado muito aberto pela esquerda.

Mas preocupante mesmo foi o momento de instabilidade no segundo tempo. A materialização do mantra "saber sofrer" de Tite. A Sérvia explorou pouco uma jogada que poderia ter sido muito perigosa: ataque pela direita atraindo Filipe Luís e fazendo a linha de defesa acompanhar para o cruzamento encontrar o gigante Mitrovic contra Fagner, muito mais baixo. Ameaçou apenas uma vez. Mas o volume construído pelos sérvios, dominando rebotes, rondando a área e finalizando quatro vezes seguidas, podia ter causado mais danos.

O segundo gol e a troca de Paulinho por Fernandinho resolveram o problema. Depois foi rodar a bola com Renato Augusto na vaga de Coutinho e subir o número de finalizações para 14 contra 9 – seis no alvo contra apenas duas do adversário. Fruto da concentração defensiva.

Entre as seleções com três partidas é a que menos concedeu finalizações e a segunda que mais intercepta. É líder nos dribles certos, segundo nas finalizações, terceiro em passes certos e quarto na posse de bola. Nos números é a seleção mais equilibrada do Mundial até aqui, ainda que não tenha os 100% de aproveitamento do Uruguai.

Com o empate por 2 a 2 entre Suíça e Costa Rica, a liderança do Grupo E foi conquistada com relativa e surpreendente tranquilidade para o cenário perigoso antes da última rodada. Missão cumprida.

Mas também nada garante. O México cumpriu uma das melhores atuações coletivas deste Mundial na estreia contra a Alemanha. Só que oscila demais sob o comando de Juan Carlos Osório. Derrota por 3 a 0 para a Suécia com uma atuação decepcionante, sem a estabilidade defensiva e a velocidade e a intensidade de Lozano pela esquerda. Contra o Brasil, porém, volta à confortável condição de "zebra".

Porque a seleção de Tite mostrou força, mesmo ainda precisando de ajustes e consistência nos 90 minutos. Sem ufanismo, o copo parece meio cheio. Na imprevisibilidade da fase de grupos o Brasil foi seguro. Nesta Copa de gigantes sofrendo e a campeã Alemanha indo para casa, não é pouco.

(Estatísticas: Footstats)

 

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.