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Uruguai taticamente perfeito e fiel à sua história manda CR7 para casa

André Rocha

30/06/2018 17h42

Uruguai no 4-3-1-2 com Bentancur se aproximando de Suárez e Cavani, mas sem bola se fechando com duas linhas de quatro "mutantes" e por vezes no 4-1-4-1, com o recuo também de Cavani. Para segurar Portugal no 4-4-2 com muitas dificuldades na criação para Cristiano Ronaldo (Tactical Pad).

A celebração de Edinson Cavani no banco de reservas no apito final da sofrida vitória por 2 a 1 sobre Portugal em Sochi foi a grande imagem do duelo pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Personagem pelos dois gols, mas também pela entrega absoluta como atacante e também voltando pelo lado. Como costuma fazer por seu país, nem tantas vezes no PSG. Porque o Uruguai de Óscar Tabárez é fibra e suor, mas também inteligência tática.

Mesmo com meio-campistas mais técnicos, a base é o posicionamento defensivo com impressionante concentração no trabalho sem bola. Um 4-3-1-2 com Bentancur se aproximando de Suárez e Cavani, mas muitas vezes utilizando as ligações diretas da defesa para a dupla. Centro de Suárez da esquerda para o parceiro ir às redes.

Depois foi plantar duas linhas de quatro. "Mutantes", com Betancur ora voltando fechando pelo flanco, ora por dentro. Parecido com o que Isco realiza no Real Madrid. Os outros três companheiros se rearrumam em função do "enganche" que retorna. Em vários momentos um 4-1-4-1 com Cavani também retornando, muitas vezes pela esquerda. Movimentos perfeitos, um relógio.

Questão de cultura futebolística. Os precursores do "saber sofrer" tão citado atualmente. Mas em alguns momentos joga contra. Porque o recuo para defender a própria meta foi um tanto excessivo quando Portugal parecia perdido e sem saída na execução do 4-4-2 com Gonçalo Guedes se juntando a Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva e João Mário pelos lados trabalhando com pés invertidos. Sem fluência, porém, E dando contragolpes seguidos, não aproveitados pelos sul-americanos.

A Celeste pagou na bola parada. Empate com Pepe completando cobrança de escanteio da esquerda. A solução diante do muro uruguaio, mesmo com a melhora depois da mudança do treinador Fernando Santos no posicionamento de Bernardo, mais centralizado, João Mário pela direita e Gonçalo Guedes à esquerda. Mas conseguiu de tanto insistir e rondar a área do oponente acuado.

Bastou o Uruguai entrar no campo rival com mais de dois jogadores para Cavani receber pela esquerda e bater com efeito, aproveitando o mal posicionamento do goleiro Rui Patrício. A vantagem de ter dois fantásticos finalizadores.

Depois o recuo foi compreensível.Lesionado, Cavani deu lugar a Stuani e o contragolpe perdeu força e perigo. Cristian "Cebolla" Rodríguez e Carlos Sánchez nas vagas de Bentancur e Nández fizeram o Uruguai perder qualidade na troca de passes. Sobraram a luta de Cavani e as arrancadas do "trator" Laxalt pela esquerda.

Restou a Portugal levantar bolas em profusão procurando André Silva, que entrou na vaga de Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo e, no desespero final, de Pepe, Fonte e até Rui Patrício. Mesmo com 61% de posse e 20 finalizações, mas apenas cinco na direção de Muslera. O Uruguai concluiu apenas seis, mas metade no alvo. Dois gols.

Na eficiência, mas também sofrimento e garra, Uruguai segue na Copa. Com 100% de aproveitamento. E ajustado taticamente para dar trabalho à França, mesmo se Cavani não se recuperar a tempo.

O campeão europeu vai para casa. Por incrível que pareça, mesmo sendo dois anos mais velho que Messi, é mais difícil imaginar Cristiano Ronaldo desistindo de servir sua seleção. Porque é impossível medir o limite do abnegado português. Uma máquina que ainda voa fisicamente e é forte mentalmente para abandonar o barco.

Ele fez o que pôde, mas o universo de seleções é menos generoso com os dois gênios dos últimos dez anos. A Copa segue com menos talento, mas pelos grandes jogos de sábado ainda teremos muita qualidade e emoções.

(Estatísticas: FIFA)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.