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A fortaleza mental pode levar o Brasil de Tite ao hexa

André Rocha

02/07/2018 13h24

Mais uma vez a seleção brasileira sofreu no primeiro tempo. Muito pela intensidade máxima do México de Juan Carlos Osório, com Rafa Márquez como surpresa à frente da defesa dando volume ao meio-campo e Lozano e Carlos Vela alternando pelos flancos para cima de Fagner e Filipe Luís.

Mas sofreu com organização no 4-1-4-1 e, principalmente, uma força mental sem oscilações. Com a trinca Thiago Silva, Miranda e Casemiro minimizando erros, consertando falhas. Na saída de bola e na recomposição. Principalmente de Phillipe Coutinho, apertado por Herrera e só crescendo quando se aproximava de Neymar.

Concentrado defensivamente como todos. Paciente em busca dos espaços. Surgiram na segunda etapa quando Osorio arriscou Layún no lugar de Rafa Márquez. Mas sem voltar ao 4-2-3-1 da vitória sobre a Alemanha. Layún entrou na lateral, com Álvarez, já com amarelo, saindo do duelo com Neymar, indo para o meio e mantendo o tridente Lozano-Chicharito-Vela. Diminuiu a pressão na saída brasileira e descompactou as linhas mexicanas.

O calor em Samara foi minando as forças do time de Osorio. O crescimento de Willian e um Neymar focado apenas em jogar, mesmo apanhando demais, fizeram o serviço. Calcanhar do camisa dez, jogada de Willian pela esquerda e gol de centroavante de Neymar. Camisa dez que passou a jogar mais adiantado para poupar esforços e fugir das pancadas.

Gabriel Jesus, sem gols mas com imensa dedicação tática, foi ser o ponta esquerda. Tanto que Roberto Firmino entrou na vaga de Coutinho, que também melhorou na segunda etapa. Para jogar de meia, na função de Coutinho. E aproveitar o rebote de Ochoa na arrancada de Neymar e marcar seu primeiro gol na Copa. E garantir o Brasil nas quartas.

Sem Casemiro. Desfalque importante e preocupante contra Bélgica ou Japão. Mas Fernandinho entrou bem no lugar de Paulinho e deve manter a concentração. Basta lembrar dos 3 a 0 sobre a Argentina no Mineirão pela Eliminatória. É possível manter o desempenho.

Impressiona o equilíbrio da equipe de Tite. Terminou com 46% de posse, mas duelou pelo controle da bola na maior parte do jogo. Finalizou 21 vezes, 10 no alvo. Fez de Ochoa um dos melhores em campo. O México concluiu 13 vezes, mas apenas uma na direção da meta de Alisson. Nenhuma chance cristalina.

Segurança, solidez. O talento resolvendo na frente, como o "molho" do trabalho coletivo. Com Neymar só pensando em futebol. Em desequilibrar e ser o craque de cada jogo e do Mundial. Como deve ser. A fortaleza mental pode levar o Brasil ao hexa.

(Estatísticas: FIFA)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.