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Athletico-PR campeão pelo que fez até a pane mental de uma final em casa

André Rocha

2013-12-20T18:01:41

13/12/2018 01h41

Bernardinho é um dos treinadores mais vencedores da história dos esportes coletivos, mas com a lendária seleção de vôlei masculino que comandou de 2001 a 2016 tinha enormes dificuldades para vencer decisões no Brasil. A única conquista em alto nível, tirando Sul-Americanos e o Pan-Americano de 2007, foi a última: o ouro olímpico no Rio de Janeiro há dois anos.

Sempre que questionado ele dizia que a preparação mudava muito em casa. O atleta pensava em tudo, menos na partida. Seja pela preocupação em conseguir convite de última hora para um familiar, seja por questões como o local da festa pela conquista depois ou na cara de quais críticos o título seria esfregado. Não era falta de profissionalismo e obviamente havia também os méritos do vencedor, mas o cenário ficava complexo demais.

Porque quando o jogo fica complicado toda aquela confiança se transforma em pânico de fracassar diante do seus, de dar mais munição para os detratores. Vem a pane mental que compromete qualquer desempenho.

O Athletico quase sucumbiu na Arena da Baixada. Jogou com alguma naturalidade até abrir o placar aos 25 minutos com Pablo completando assistência espetacular de Raphael Veiga. A equipe paranaense trocava passes no ritmo de Lucho González, grande regente do time, pressionava a saída de bola e acelerava quando se aproximava da área do Junior Barranquilla.

Mas repetiu o pecado do jogo de ida e de outras partidas na temporada: recua demais as linhas, especialmente os ponteiros Marcelo Cirino e Nikão e perde a saída em velocidade. A bola batia e voltava. Para complicar, o time colombiano passou a encontrar espaços entre a defesa e os volantes Lucho e Bruno Guimarães. Especialmente Barrera, que saía da direita para articular por dentro.

Mas o empate veio mesmo na bola parada, com Teo Gutiérrez desviando o toque do zagueiro Jefferson Gómez. Dentro de um segundo tempo de domínio completo dos visitantes.  A transição defensiva dos rubro-negros definhava conforme Lucho cansava. Nem mesmo a troca do argentino por Wellington resolveu o problema. A entrada de Rony no lugar de Cirino também acrescentou pouco.

Já a entrada de Yoni González na vaga de James Sánchez adicionou ainda mais força e velocidade na transição ofensiva do Junior. Foram muitas chances desperdiçadas no tempo normal e a decisiva justamente na prorrogação, com Barrera isolando a cobrança de pênalti de Santos sobre González.

O Athletico saiu de um estado catatônico para a confiança de que tudo ainda poderia dar certo. E deu na decisão por pênaltis. Impressionante o péssimo aproveitamento da equipe do treinador Julio Comesaña. Fuentes e Teo Gutiérrez perderam. Com o de Barrera e o do zagueiro Pérez em Barranquilla, foram quatro cobranças erradas, sem necessidade de intervenção de Santos. Não se pode errar tanto numa final.

O campeão acertou mais. Na competição e na temporada. Belo trabalho de Tiago Nunes, que aprimorou as ideias de Fernando Diniz tornando o time mais vertical, objetivo. Talvez o melhor jogo coletivo do país no último semestre.

Mas quase pagou no grande fechamento da temporada pela típica distorção brasileira da máxima "finais são para ser vencidas, não jogadas". Uma senha para o estádio virar uma arena de desesperados, com gente chorando nas arquibancadas e jogadores apavorados. No país do futebol de resultados uma final se transforma em uma imensa máquina de moer corações e mentes.

O ato final carregou mais alívio que felicidade para o Athletico. Assim como tirou um peso dos ombros de Bernardinho em 2016.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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