Blog do André Rocha

Chocolate sobre United afirma nova maneira de jogar do Liverpool de Klopp

André Rocha

Eram oito partidas sem derrota do Manchester United para o Liverpool. Na Inglaterra, apenas uma vitória de Jurgen Klopp sobre José Mourinho, ainda em 2015 quando o português comandava o Chelsea. Havia muito em jogo no maior clássico inglês em Anfield.

Por isso os 3 a 1 que devolvem a liderança aos Reds são tão simbólicos. Por marcarem a distância entre as equipes em termos de desempenho – uma goleada histórica não teria sido nenhum exagero – e também para afirmarem a mudança de Klopp no desenho tático e também no modelo de jogo de sua equipe.

Superioridade desde o primeiro tempo que terminou em 1 a 1 por uma falha de Alisson no rebote do cruzamento de Lukaku da esquerda que Lingard aproveitou. Para igualar no placar o que já era passeio do Liverpool. 62% de posse e 15 finalizações contra apenas três dos Red Devils.

Novamente no 4-2-3-1 com o recuo de Firmino e Salah se transformando na referência do ataque. Mané e Keita pelas pontas e Fabinho e Wijnaldum por dentro alternando no apoio. Mourinho respondeu com um 3-4-2-1 que guardava a meta do goleiro De Gea e fechava especialmente os lados, porém deixava muitos espaços por dentro. Apenas Herrera e Matic contra os três meio-campistas do rival.

Com liberdade, Fabinho achou Mané livre para abrir o placar em uma disputa que parecia bem tranquila. O time de Mourinho, porém, novamente se salvou sem jogar para tal. O treinador português voltou do intervalo tentando corrigir o problema no meio ao trocar o ala português Dalot, já com amarelo, por Fellaini. Espelhou o sistema adversário com Darmian na lateral direita e o meia belga se juntando a Rashford e Lingard atrás de Lukaku.

Não chegou a equilibrar as ações, mas o Liverpool só foi tomar conta definitivamente do jogo e transformar um empate decepcionante num triunfo com enorme autoridade quando Klopp tirou Keita e colocou Shaqiri. O suíço entrou pela direita, fazendo Mané inverter o lado no mesmo 4-2-3-1. Os Reds ganharam ainda mais volume e, o principal, qualidade no acabamento das jogadas.

Ainda que Shaqiri tenha contado com a sorte de desvios nos defensores nas duas finalizações que foram às redes e decidiram o clássico. Foram nada menos que 36 finalizações do time da casa contra apenas seis. Um chocolate com direito a 64% de posse de um time que tenta ficar mais com a bola, mesmo intuitivamente ainda acelerando bastante e definindo logo a jogada assim que se aproxima da área do oponente.  No jogo, a cadência passou fundamentalmente por Fabinho, grande destaque da partida com um recital de 90 minutos. O melhor passador em campo.

O United chega a 29 gols sofridos e zero de saldo. 19 pontos de desvantagem para o Liverpool em 17 rodadas. Uma campanha ridícula, a pior dos últimos 26 anos. Mesmo com a classificação para as oitavas da Champions, é para repensar tudo. Principalmente pelo paupérrimo futebol em campo e a incapacidade de tirar o melhor de um talento como Paul Pogba, maior contratação da história do maior vencedor do país.

Mas nada que desmereça a grande atuação do líder da Premier League. Com toque mais refinado e um rolo compressor chegando à área adversária com no mínimo quatro jogadores, o Liverpool vai se desgarrando com o atual campeão Manchester City de Pep Guardiola para disputarem um campeonato em separado e do mais alto nível na Inglaterra.

(Estatísticas: BBC)