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Real Madrid tricampeão e, enfim, uma noite inquestionável de Luka Modric

André Rocha

22/12/2018 16h28

Luka Modric entrou para a história em 2018 como o homem capaz de interromper o domínio de Cristiano Ronaldo e Messi. No Prêmio FIFA e na Bola de Ouro, além de melhor da Copa do Mundo. Títulos individuais muito questionados. Para muita gente boa, o meio-campista não foi o melhor jogador do Real Madrid na conquista da Liga dos Campeões  – Marcelo, Kroos e o próprio Cristiano Ronaldo teriam ficado acima – e nem da Croácia na campanha do vice-campeonato mundial na Rússia (Perisic foi melhor para este que escreve).

Em Abu Dhabi, porém, não houve dúvida sobre o grande destaque da final do Mundial de Clubes. Do inédito tricampeonato do time merengue, a sétima conquista incluindo todos os formatos. Mesmo esvaziado pelo enfraquecimento dos sul-americanos e o consequente domínio absoluto dos europeus, o que já provoca conversas para a mudança da fórmula e do número de participantes, é um título que carrega sua relevância e recheia qualquer currículo.

Luka Modric foi o destaque absoluto dos 4 a 1 sobre o Al Ain. Final que teve algo que lembrasse equilíbrio apenas nos primeiros minutos, com direito a gol anulado de Caio e Sergio Ramos salvando a finalização de El Shahat, segundos antes do camisa dez do maior time do planeta entrar em ação.

O meio-campista deitou e rolou com os muitos espaços deixados entre defesa e meio-campo do time árabe e a marcação passiva nos rebotes da entrada da área. Além do gol cortando para dentro e batendo de canhota no canto de Khalid Eisa, ainda um belíssimo chute completando escanteio de Kroos. Chegou a lembrar os lances ensaiados por Beckham e Roberto Carlos ou Zidane no Real Madrid galáctico dos anos 2000.

Geração que não chegou nem perto em conquistas da atual. Carvajal, Sergio Ramos e Benzema disputaram 16 finais nos últimos cinco anos e só perderam duas. A 14ª taça foi consolidada com o gol de Marcos Llorente. O volante que tem colocado Casemiro no banco foi outro a aproveitar a liberdade na entrada da área para marcar o primeiro gol pelo clube. Na bola parada, o habitual gol de cabeça de Sergio Ramos como "vingança" pelas vaias que recebeu durante a partida – ainda pela deslealdade na final da Liga dos Campeões contra Salah, o grande ídolo do "mundo árabe".

No final, o gol de Shiotani, completando a terceira assistência do brasileiro Caio, para premiar o esforço do Al Ain. Dentro da realidade do Mundial e das possibilidades diante de uma equipe histórica, a atuação foi digna. Até pelo desgaste por conta das duas prorrogações nos três jogos antes da final.

Em ritmo de treino, o Real controlou com 63% de posse e 21 finalizações contra apenas oito – oito a dois no alvo. Muita facilidade pelos lados: Carvajal e Lucas Vazquez pela direita; Marcelo e Bale no setor esquerdo, que no final ganhou Vinicius Júnior por alguns minutos. Nos acréscimos, arrancada do jovem brasileiro e gol contra de Yahia Nader para fechar o placar.

Por todo o campo, Modric circulando e liderando a troca de passes. Com sobras o melhor em campo, ainda que a FIFA tenha premiado Llorente, fechando um ano espetacular. Enfim, numa noite inquestionável.

Superestimado pela temporada, mas sem dúvida um dos grandes da história. Junto com Xavi, Iniesta, Kroos, Schweinsteiger, Gerrard, Lampard e outros, Modric ajudou a transformar a função dos jogadores de meio-campo. Nem típico volante, nem meia clássico. Marcando e jogando em altíssimo nível colocou mais uma conquista na sala de troféus. Um cracaço!

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.