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Afinal, De Arrascaeta vale toda essa guerra entre Cruzeiro e Flamengo?

André Rocha

08/01/2019 10h36

Foto: Uarlen Valério – O Tempo/Estadão

A ideia deste post não é avaliar o comportamento dos dirigentes de Cruzeiro e Flamengo no imbróglio por De Arrascaeta. Os colegas Rodrigo Mattos e Julio Gomes já abordaram o tema e a opinião deste blogueiro fica entre as duas visões: o Fla poderia ter sido mais transparente e se dirigido primeiro ao clube mineiro, que deveria ter honrado o compromisso e não contraído uma dívida com o Defensor. Não há santos nesse caso. Nem o jogador, que força a saída com seu agente de maneira pouco ética.

O que o blog propõe é uma análise sobre a importância de contar com o meia uruguaio na equipe. O time carioca oferece um salário bem superior ao que o atleta recebe no Cruzeiro, que luta como pode para mantê-lo em seu elenco ou ao menos receber a melhor compensação financeira possível, ainda que não tenha pagado integralmente por seus direitos econômicos.

De Arrascaeta é o típico meia que agrada a maioria dos treinadores brasileiros. Camisa dez que "pisa na área". Marcou quinze gols em 2018. Atua centralizado ou cortando da esquerda para dentro. Combina técnica e timing para aparecer na área e finalizar. Ou servir seus companheiros. No Brasileiro, em 20 jogos foi responsável por seis assistências. Com 24 anos, ainda tem muita lenha para queimar.

Um ótimo parceiro para Thiago Neves no Cruzeiro. O meia que o Flamengo deseja para substituir Lucas Paquetá, artilheiro da equipe na temporada passada com 12 gols, junto com Henrique Dourado. Com a provável saída de Diego Ribas para o Orlando City, a camisa dez ficará vaga.

Mas talvez a virtude que mais justifique essa guerra seja a capacidade de decidir jogos grandes. O Fla sentiu na própria carne, com o uruguaio marcando o gol do empate por 1 a 1 na ida da final da Copa do Brasil 2017 que não complicou a vida dos mineiros para o jogo em Belo Horizonte. No ano passado, novo confronto pelas oitavas da Libertadores e mais um gol de Arrascaeta no Maracanã na vitória por 2 a 0.

Em 2018 o meia também foi protagonista na final do Mineiro, marcando o gol que abriu o caminho para a vitória por 2 a 0 sobre o rival Atlético no Mineirão, e na decisão da Copa do Brasil. O Cruzeiro fez um enorme esforço para contar com o atleta, a serviço da seleção uruguaia, e o camisa dez saiu do banco para ir às redes e não só confirmar a virada sobre o Corinthians, mas também garantir a campanha histórica com 100% de aproveitamento como visitante.

Tudo que Abel Braga precisa para tirar do Fla o rótulo de "arame liso" e "pecho frio" em finais. Justamente o que Mano Menezes não quer perder para manter seu time competitivo. Ainda que o meia se ausente em muitas datas FIFA e não seja um jogador regular, constante. Tanto nas competições quanto nas próprias partidas. Às vezes peca também na intensidade do trabalho defensivo, mesmo atuando com mais liberdade. A reação rápida com pressão logo após a perda da bola hoje é fundamental para os que atuam mais adiantados.

O futebol tem seus mistérios e De Arrascaeta pode não ser feliz numa possível, até provável, mudança de clube. Mas para o nível da bola jogada no Brasil a resposta à pergunta do título deste post é simples: vale muito o investimento. Mesmo com toda polêmica que já arranhou a relação entre dois dos maiores clubes do país.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.