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Fla-Flu pode trazer respostas de Abel Braga para a sequência da temporada

André Rocha

04/02/2019 06h14

Foi a primeira atuação consistente do Flamengo de Abel Braga na temporada. Muito pelo volume de jogo que sufocou a Cabofriense que não foi nem sombra da equipe que virou o jogo para 3 a 1 sobre o Botafogo. Também porque não tem elenco para rodar e times para jogar uma vez por semana. Os rubro-negros também sobraram fisicamente nos 4 a 0 no Maracanã com quase 50 mil pessoas.

Foram 20 finalizações, metade na direção da meta do goleiro George, que evitou gols de Uribe e Diego no primeiro tempo que teve bola nas redes apenas com Willian Arão. Novamente o Flamengo descomplicou um jogo com a jogada aérea de bola parada. Mas o camisa cinco rendeu também se juntando a Pará e Everton Ribeiro pela direita e dando profundidade às ações ofensivas.

Arão é meia no 4-1-4-1 de Abel, que diz que sua presença "equilibra o time". Talvez pela estatura e os movimentos assimilados de volante que fazem voltar e ajudar Cuéllar na proteção da defesa. O instinto, porém, também empurra para frente e em vários momentos ele está mais adiantado que Diego, o outro meia por dentro. Com os dois na área adversária saiu o centro de costas de Arão e o golaço do camisa dez numa bicicleta espetacular.

Pressão na saída do oponente e logo após a perda da bola, triangulações pelos lados e jogadores pisando na área para finalizar. Mesmo com tamanho domínio, a posse de bola rondou os 60% e terminou com 53%. Indício de que quando se aproxima da área adversária a equipe está definindo a jogada mais rapidamente, ainda que siga levantando muitas bolas na área – foram 43 cruzamentos no total. Mão de Abel e pés de Bruno Henrique, que tornou o ataque mais veloz e contundente.

No final, o gol do ponteiro em contragolpe letal passando por Gabriel Barbosa e Arrascaeta, que marcou o terceiro da goleada e o primeiro dele no novo clube. Os dois saindo do banco junto com o volante Ronaldo, que não se acertou com o Santos e é mais uma opção para o meio-campo. A ideia parece ser aproveitar os formados no clube, mas fica a impressão de que para competir no mais alto nível é preciso ir ao mercado. Para o Carioca, porém, deve ser suficiente.

Agora Abel terá praticamente uma semana para trabalhar. Pela primeira vez com todos disponíveis. Sem jogo no meio para rodar o elenco. Quem será titular? Duas das quatro contratações seguirão na reserva? O Flamengo será protagonista ou deixará a bola para o time de Fernando Diniz e tentará matar em transições rápidas?

O foco deve ser na evolução do desempenho. Talvez manter a base de 2018 seja interessante para desenvolver o "jogar de memória" e trabalhar nas mudanças que o treinador já está implantando no modelo de jogo que vem de Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Maurício Barbieri e Dorival Júnior. Levando em conta a péssima campanha do Botafogo no primeiro turno, não é absurdo considerar o Fla-Flu da semifinal o primeiro teste consistente da temporada. Jogo único valendo vaga na decisão da Taça Guanabara.

Será a hora de Abel e seus comandados entregarem respostas. Não só para o Estadual, mas também pensando na sequência da temporada de um dos times que mais investiram para conquistar em 2019.

(Estatísticas: Footstats)

 

 

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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