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Cruzeiro é a força "silenciosa" que agora pode usar dois times na temporada

André Rocha

10/02/2019 20h37

Flamengo e Palmeiras contam com orçamentos milionários e a cobertura midiática mais ampla dedicada aos times de São Paulo e Rio de Janeiro. Grêmio sempre é lembrado por ter sido o último brasileiro campeão da Libertadores, praticar o melhor futebol do país desde 2017 e manter o carismático Renato Gaúcho no comando técnico.

O Cruzeiro é bicampeão da Copa do Brasil e até reconhecido como um time capaz de disputar os principais títulos, mas sem tanto alarde. Uma força "silenciosa". Entre aspas porque não há como fazer silêncio com torcida tão numerosa e imensa visibilidade local dividindo as atenções com o rival Atlético.

Não deixa de merecer muito respeito, porém. O trabalho de Mano Menezes vem de julho de 2016, é mais longevo que o de Renato Gaúcho e o time celeste apresenta a identidade que o treinador começou a construir no Corinthians que venceria tudo com Tite. Equipe competitiva, pragmática. Muitas vezes dando a impressão de que subaproveita a qualidade que conta no elenco. O que também contribui para receber menos elogios, mesmo da mídia mais "festiva".

Mas é impossível negar sua força. Com a sequência e as mudanças pontuais no elenco, normalmente com mais chegadas que saídas, Mano pode dar o polimento, ajustando mecanismos, criando opções e variações. Usufruir da vantagem de ter processos consolidados e modelo de jogo assimilado.

A volta de Fred depois de longo período afastado por séria lesão é acréscimo no ataque. Experiência, liderança e presença de área. Raniel espera no banco para acelerar e dar profundidade às ações ofensivas. Se perdeu De Arrascaeta para o Flamengo, repôs com duas peças: Rodriguinho para jogar por dentro na linha de meias do 4-2-3-1 praticamente imutável revezando com Thiago Neves e Marquinhos Gabriel faz o lado esquerdo, podendo alternar com Rafinha. David seria mais um para colocar velocidade pelo flanco, mas se lesionou.

Jadson veio do Fluminense para ser a reposição a Robinho sem mudar as características de "ponta volante" pela direita, atuando mais próximos dos volantes que podem ser Henrique, Lucas Silva, Lucas Romero ou Ariel Cabral. Sempre em duplas para a proteção da defesa, prioridade do treinador que preza muito a segurança e o equilíbrio entre os setores. Linhas compactas, pressão no homem da bola, intensidade,concentração no posicionamento.

Retaguarda que só tem Dedé como titular absoluto, além de Fábio na meta. Edilson e Orejuela pela direita, Murillo como opção para Leo e Fabrício Bruno e Cacá completando o setor que perdeu Manoel para o Corinthians. Na esquerda, Egídio é titular, mas agora com a sombra de Dodô. Ou seja, a utilização de dois times na temporada é mais que viável.

Importante para quem não conseguiu ser competitivo de fato no Brasileiro nos últimos dois anos por conta da disputa da Copa do Brasil até a final. A liderança do Mineiro ao lado do América é menos importante que o potencial de crescimento, de aprimoramento ao longo do ano.

Até por cultura, o clube deve seguir priorizando o mata-mata quando a temporada afunilar. Mas desta vez há elenco para lutar em todas as frentes. Quieto, pelas beiradas. Com o perdão do clichê que pode se fazer verdade novamente em 2019.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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