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O Atlético de Simeone no modo "Godín-torcida-cojones" de 2014 está de volta

André Rocha

20/02/2019 19h28

O título espanhol do Atlético de Madrid em 2013/14 é o maior feito de um clube europeu nesta década. Muito maior que a conquista da Premier League pelo Leicester City em 2015/16. Porque tinha a concorrência de Barcelona e Real Madrid – os dois grandes times desta era, comandados por Messi e Cristiano Ronaldo – no formato que exige regularidade. Com direito a classificação para a final da Liga dos Campeões e revés para os merengues depois de ficar a segundos do título até o empate com gol de Sergio Ramos que levaria a decisão para a prorrogação.

Nesta saga, o time de Diego Simeone tinha três grandes trunfos além da incrível organização tática: a eficiência nas jogadas aéreas com bola parada, especialmente de Godín – autor do gol do título no empate em 1 a 1 contra o Barcelona e na decisão da Champions; a força da torcida no Vicente Calderón, normalmente regida pelo treinador argentino. Estimulada pela fibra e concentração de uma equipe que nunca se entregava. "Cojones", no popular em espanhol.

Pois foi tudo que o Atlético resgatou, desta vez no novo estádio, Wanda Metropolitano. Talvez pela presença do algoz Cristiano Ronaldo na Juventus, rival das oitavas de final da Liga dos Campeões. Ou apenas porque, por mais que Simeone tente fazer sua equipe jogar mais com a bola, esta é a melhor versão dos colchoneros. Ainda mais em mata-mata.

O time italiano teve mais posse de bola, ameaçou no primeiro tempo de maior equilíbrio em cobrança de falta de Cristiano Ronaldo. Exigiu concentração na compactação das linhas de quatro do Atlético para bloquear a boa circulação de bola da Juve, armada no 4-3-3 com muita movimentação do gênio português, auxiliados por Dybala e Mandzukic.

Mas na segunda etapa foi um verdadeiro atropelo. Técnico, tático, físico e até moral. Alavancado por uma vontade inquebrantável de sair de campo com a vitória. Gol perdido por Diego Costa, que deu lugar a Morata, que teve um gol anulado por falta em Chiellini assinalada pelo VAR, que também mudou para fora da área um pênalti marcado no primeiro tempo.Também bola no travessão em lindo toque por cobertura de Griezmann.

Tinha que ser na raça, na "empurrança". Gols dos zagueiros Giménez e Godín (sempre ele) em cobranças de escanteios. Na comemoração do primeiro, Simeone perdeu a linha e fez o gesto dos "cojones". Deselegante e politicamente incorreto, sim. Mas representando cada torcedor que criou uma atmosfera impressionante no estádio, que ajudou a engolir a Juve.

Um feito ainda mais incrível considerando os números finais: 62% de posse e 11 finalizações dos visitantes, mas apenas três no alvo contra cinco do time espanhol, num total de nove. Matemática que não retrata o que foram os 45 minutos finais em Madrid.

O Atlético leva dois gols a favor e nenhum sofrido para Turim, mas não contará com os suspensos Thomas e Diego Costa. A Juventus perdeu Alex Sandro e provavelmente Massimiliano Allegri vai improvisar De Sciglio na lateral esquerda.  Ou tentar algo mais ousado, porque vai precisar.

Depois dessa catarse no Wanda será bem complicado tirar essa vaga do time de Simeone. O espírito do "milagre" de 2014 está de volta.

(Estatísticas: UEFA.com)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.