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United faz "milagre" em Paris, mas pressão massacrante só atrapalha o PSG

André Rocha

06/03/2019 21h02

O Manchester United tinha nove desfalques, incluindo o craque Paul Pogba, um treinador que não sabe se fica para a próxima temporada, dois a zero contra em casa no jogo de ida e nenhuma expectativa para 2018/19 depois da terra arrasada deixada por José Mourinho. Nada a perder no Parc des Princes.

Já o PSG estava tranquilo, mesmo com o gol sofrido no primeiro minuto em contragolpe que encontrou Lukaku. Empatou com Bernat completando assistência de Mbappé, tinha a bola e finalizava mais. Com Daniel Alves e Bernat bem abertos, três zagueiros controlando Rashford e Lukaku e Di María encontrando espaços entre a defesa e o meio-campo do adversário. Compensando a atuação bem abaixo de Draxler. Mais uma.

Tudo virou no segundo de Lukaku. Em falha de Buffon, um dos nomes contratados para dar peso e experiência em jogos grandes. Ali alguma coisa ruiu e veio a pressão massacrante sobre um projeto ainda capenga, embora tenha avançado com Thomas Tuchel. A falta de desafios na França transforma qualquer jogo decisivo na Champions em uma prova complicada, torturante até.

O que se viu na segunda etapa foi um time apressado, com Mbappé tropeçando em ataques que poderiam ser decisivos, erros tolos de passe diante de duas linhas de quatro compactas e que ganharam uma saída mais rápida pela direita quando Dalot entrou na vaga do zagueiro Bailly, Ashley Young foi ocupar a lateral direita e Lindelof fazia a zaga com Smalling.

O tempo passando com os 2 a 1 no placar sem o gol salvador foi aumentando o pânico nos donos da casa. Desespero que só não era maior  porque os Red Devils praticamente não ameaçavam. Mas mesmo pela tela do celular era possível perceber que havia algo no ar, uma forte impressão de que o feito épico do maior campeão inglês viria. Ainda mais com a entrada de Greenwood e Chong, jovens da base para correr pelos flancos, ajudando na marcação e acelerando as transições ofensivas. Uma formação mais que improvisada.

Tuchel tentou melhorar a produção pela direita e no meio com Meunier e Paredes. Um jogo normal pareceria controlado, mas era eliminatória de Liga dos Campeões. A obsessão do PSG que não permite falhas e, por isso, é máquina de moer cérebros. O espírito e a fibra das outras partidas foram se apagando, mesmo com posse rondando os 70% e terminando com 68% e 11 finalizações, quatro na direção da meta do goleiro De Gea. Talvez acontecesse até com os lesionados Neymar e Cavani em campo.

A desgraça chegou com o pênalti no chute de Dalot que bateu no braço de Kimpembe. Como o critério hoje é não ter critério, o VAR apontou a possível penalidade e o árbitro esloveno Damir Skomina confirmou – este que escreve não marcaria, por não perceber a imprudência do defensor francês. Rashford cobrou e colocou o United nas quartas de final. Na quinta finalização. Quatro no alvo e três nas redes.

Um "milagre". Assim como o protagonizado pelo Ajax, um feito histórico e até heroico pelo contexto de uma camisa pesada. Mas a serenidade de quem não tinha maiores responsabilidades ajudou a fazer acontecer. Naturalmente.

O PSG precisa repensar. O projeto de orçamento infinito e ambição imposta. Lembrar que o Chelsea realizou o sonho em 2012 quando ninguém esperava. Com Di Matteo no comando, efetivado como Solksjaer no United. Nos pênaltis como zebra na final contra o Bayern em Munique.

Sem o peso do mundo nas costas. O mesmo que derrubou o time milionário que precisa ganhar casca e o hábito das grandes noites de Champions.  Mais uma terminou com ares de tragédia.

(Estatísticas:UEFA)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.