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Por clássicos menos pilhados em redes sociais na reta final dos estaduais

André Rocha

2028-03-20T19:15:04

28/03/2019 15h04

Começa com "DIA DE XXXXX (nome do time)" no Twitter. Depois aquela foto no Instagram do jogador ou do clube chamando para o jogo ganha comentários na linha de "É guerra!" ou "Não pode perder pro rival!"

Ao longo do dia a ansiedade vai aumentando. De jogadores concentrados e torcedores agora com linha direta com a comunicação do clube e também dos agentes da partida. O discurso gira em torno da não aceitação da derrota, de suspeitas sobre arbitragem e que o importante é entrar elétrico, com intensidade máxima. O carrinho ou até a falta dura tem o mesmo valor de um gol.

A consequência é o que temos visto nos grandes clássicos do país. Tensão, entradas duras, pressão na arbitragem. Jogadores nervosos, mas também jogando para galera, provando que estão ligados, com fibra e gana de vencer. Pilhados.

Até chegar ao exagero do Fla-Flu da semifinal da Taça Rio. Com mais uma arbitragem confusa de Marcelo de Lima Henrique, mas também o comportamento ensandecido dos atletas e das comissões, muito acima do tom de uma disputa que a rigor nem valia tanto. Aditivado também por rixas e picuinhas dos dois jogos anteriores.

Um espetáculo lamentável, grotesco. Com expulsões tolas de Bruno Henrique e Paulo Henrique Ganso, pau quebrando na saída do campo e Abel Braga, de tão nervoso, indo parar no hospital com arritmia cardíaca. Era mesmo para tanto? Não pode haver futebol em duelos com rivalidade histórica?

A distorção completa da frase de Michael Jordan: "decisões não devem ser jogadas, mas vencidas". Uma afirmação que falava de espírito e mentalidade vencedora virou licença para barbárie. No Rio de Janeiro, mas também em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná…

Está chegando a hora das decisões estaduais. É quando os campeonatos cada vez menos relevantes entram numa bolha, em um mundo paralelo. No qual não existe jogo mais importante,decisivo, fundamental. Como os meninos que vão enfrentar os da rua de trás. Não pode perder. E que se danem Libertadores, Copa do Brasil, Sul-Americana. Fica tudo para depois. Ainda que no final do ano poucos lembrem desses duelos locais.

As redes sociais vieram para ficar e possuem infindáveis maneiras de tornar melhor as vidas das pessoas. Aproximar os distantes. Mas já vimos que se mal usadas podem causar estragos. Do tamanho de um país. Que os clubes saibam controlar melhor os nervos de seus profissionais e focar no desempenho que leva à vitória. Não precisa ser briga de rua, selvageria e barbárie.

É mais que futebol, mas não tem que ser matar ou morrer. Na arquibancada e no campo. Sempre haverá outro clássico para a revanche. Na bola vale quem joga mais, não o mais macho. Ou o menos inteligente. A consequência da pilha errada.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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