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Pochettino manda Guardiola para casa na mais insana "briga de rua" com VAR

André Rocha

2017-04-20T19:18:58

17/04/2019 18h58

Foram quatro gols em 11 minutos. Cinco em vinte. Sete no total. Intensidade máxima durante todo o jogo, com trocas de golpes e até de lances polêmicos com protagonismo e correção da arbitragem com auxílio do VAR.

Os 4 a 3 do Manchester City sobre o Tottenham que classificaram o time londrino para a semifinal da Liga dos Campeões contra o Ajax foram insanos. A "briga de rua" mais maluca desta edição do maior torneio de clubes do planeta e uma das mais loucas de todos os tempos. Surreal mesmo para os padrões de jogo alucinante dos times da Inglaterra.

Impressionante a entrega da equipe de Pep Guardiola que ainda lutava em todas as frentes na busca de cinco títulos na temporada. Dentro de uma proposta ultraofensiva deixando Fernandinho no banco, reunindo Gundogan, De Bruyne e David Silva no meio-campo, Bernardo Silva e Sterling nas pontas e Aguero no centro do ataque.

Muito volume do atual campeão inglês, empurrando para a defesa um Tottenham sem Harry Kane e que perdeu Sissoko no meio-campo. Mas com Son desequilibrante de novo, com dois gols. Formando o ataque com Lucas e depois se dedicando taticamente para guardar o setor direito depois da entrada de Llorente. Mudança ousada de Mauricio Pochettino.

O atacante espanhol foi o heroi do gol da classificação, com a bola desviando em seu corpo, mas que pareceu braço e 0 árbitro turco Cuneyt Çakir conferiu com correção no vídeo. Análise que também interferiu no lance capital: o gol de Sterling nos acréscimos que decretaria os 5 a 3, mas acabou anulado pela interpretação do toque de Bernardo Silva como intencional ao interceptar o passe de Eriksen e acionar Aguero em impedimento.

Um anticlimax para a catarse no Etihad Stadium, mas cumprindo a função do VAR. Por consequência punindo o City e, principalmente, Guardiola por muitos erros que costumam cobrar caro em disputas eliminatórias. O pênalti perdido de Aguero na ida em Londres, as falhas de Laporte nos gols de Son e a demora em substituições importantes. Em especial a entrada de Leroy Sané sempre depois dos 80 minutos.

Equívocos que não compensaram o acerto na escalação arrojada do De Bruyne e as jogadas que terminaram nos dois gols de Sterling, um de Aguero e outro de Bernardo Silva. Porque não foi suficiente. Algo para Guardiola refletir. Porque o melhor treinador do mundo foi contratado também para transformar os citizens em grandes na Champions. Por mais que as conquistas em ligas sejam louváveis e o treinador possa terminar com quatro taças é mais um fracasso na mais importante competição.

E o maior feito da carreira de Pochettino. Treinador argentino que deve servir de exemplo para os colegas brasileiros. Porque partiu para a Europa começando por baixo em 2009, com 37 anos, no Espanyol para construir uma carreira sólida em um grande centro como a Inglaterrra. Mesmo sem títulos até agora nesta trajetória ele se coloca em uma prateleira acima até de Tite.

Porque compete com os maiores e agora está entre os quatro finalistas da Champions, mesmo sem contratar em duas janelas. Com chances de chegar à grande decisão. Meta que Guardiola não alcança desde 2011 com o lendário Barcelona e precisa repensar em sua carreira vencedora, de um dos maiores e melhores de todos os tempos. Mas abaixo de Pochettino em uma noite para guardar na memória.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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