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A sólida atuação da Colômbia e o "paradigma Messi" na Argentina

André Rocha

2015-06-20T19:21:32

15/06/2019 21h32

O português Carlos Queiroz é um treinador que tem como marca em seus trabalhos a organização defensiva. Com excessos pelas limitações do grupo de jogadores, como nas megaretrancas do Irã nas duas últimas Copas do Mundo. Mas na Colômbia, aproveitando a base de Jose Pekerman, pode adicionar à equipe a solidez que faltou em alguns momentos.

A estreia na Copa América em Salvador mostrou um acréscimo na coordenação dos setores sem a bola. Montada em um 4-1-4-1, aproveitando o favoritismo da Argentina para compactar as linhas e tentar bloquear Messi. No movimento característico do camisa dez, da direita para dentro. Fechando com o lateral Tesilio e os meio-campistas Barrios e Uribe.

Ofensivamente buscava aproximar James Rodríguez, Falcao García e Muriel, depois Roger Martínez. Autor de belo gol no segundo tempo. Pelo lançamento primoroso de James e o movimento de Martínez em diagonal até a finalização forte e precisa, sem chances para Armani.

Um gol providencial, já que a Argentina vivia o melhor momento da partida. Com Messi mais participativo, contando com o suporte de Lo Celso, Paredes e De Paul, que substituiu Di María. Faltava um Aguero atacando mais os espaços às costas da última linha defensiva do oponente.

Então veio o desânimo que sempre ataca a albiceleste quando enfrenta dificuldades. Alimentadas pela expressão de Messi, já um clássico nos insucessos da seleção e do Barcelona. Os companheiros buscam estímulo, um gesto de liderança e não encontram uma postura corajosa. Não que Messi desista do jogo, mas não entrega na parte anímica o que se espera de um fora de série, da referência. Ainda mais em um país carente de títulos há quase três décadas.

Eis o "paradigma Messi": a seleção não ajuda coletivamente para potencializar o talento do craque genial. E Messi fica à espera de soluções que nunca aparecem e não assume a responsabilidade como se espera dele. Lionel Scaloni tenta emular o 4-4-2 dos tempos de Alejandro Sabella, abrindo Lo Celso pela direita na recomposição.

Na transição ofensiva é preciso que Messi recue para participar da articulação. Quando voltou, acertou belo lançamento para Aguero na melhor chance argentina no primeiro tempo. As deficiências coletivas são uma realidade. Cabe ao craque que tem o sistema montado em torno de seu talento contribuir mais.

A Argentina teve 55% de posse e finalizou doze vezes, seis no alvo. Mas sem a chance cristalina, muitos chutes de longe e cobranças de falta de Messi para defesas de Ospina. Era possível fazer mais. Na baixa do rival, a Colômbia não perdoou. Mais uma ação bem combinada pela esquerda, assistência de Lerma e gol de Zapata, que entrou na vaga de Falcao.

A sexta e última finalização no alvo dos colombianos em um total de 12. Coroando uma atuação sólida e que credencia a seleção de Carlos Queiroz à disputa da liderança do grupo e também de uma vida longa no torneio. Convém respeitar.

(Estatísticas: Footstats)

 

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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