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VAR salva Uruguai desconcentrado no empate com Japão da posse de bola

André Rocha

21/06/2019 02h32

Este que escreve passaria longe de marcar pênalti de Ueda sobre Cavani, mesmo com os auxiliares de vídeo enxergando falta do defensor japonês no primeiro tempo. Assim como assinalaria uma infração dentro da área uruguaia de Giovanni González em Nakajima na segunda etapa, depois de belo giro à la Zidane do camisa dez japonês. A arbitragem claramente prejudicou o jovem time convidado na Arena do Grêmio.

Já o que prejudicou o Uruguai em Porto Alegre foi a desconcentração. Tranquilo depois dos 4 a 0 na estreia sobre o Equador, acreditou que conseguiria impor seu estilo e construir a vitória com naturalidade. Mas em competições de futebol profissional, mesmo em um nível intermediário, sem foco não se joga. Ou joga mal. Depois de uma pressão inicial na empolgação da torcida que era maioria no estádio, a Celeste só acordou quando sofreu o primeiro gol de Miyoshi. E foi salva pelo pênalti inexistente e convertido por Luis Suárez.

Mesmo assim não tomou para si o controle do jogo. Porque o Japão trocava passes no ritmo do bom meio-campista Shibasaki e acelerava com o quarteto ofensivo formado por Miyoshi e Nakajima nas pontas, Okazaki na referência e Abe se aproximando por dentro. Com mobilidade e arriscando dribles que criavam problemas para a última linha de defesa adversária.

Desorganizada por conta da lesão de Laxalt que, sentindo dores, não acompanhou Miyoshi no lance do gol. Óscar Tabárez foi obrigado a trocar Cáceres de lado e colocar González pela direita. A mudança desestruturou a equipe não só no posicionamento defensivo como nas ações de ataque, já que Cáceres, que é o lateral de base, que fica mais preso com Giménez e Godín, tinha que apoiar para aproveitar o corredor deixado pelo movimento de Lodeiro da esquerda para dentro.

Restou aos uruguaios a fibra. Também o jogo direto e físico, tentando levar vantagem na estatura e na força. Bola para Suárez e Cavani, problemas para a retaguarda asiática e trabalho para o goleiro Kawashima. Mas o Japão respondia com boa circulação da bola. E sorte, aproveitando a falha de Muslera para Miyoshi marcar o segundo gol.

No "abafa" e apelando para cruzamentos  – foram 38, 23 no segundo tempo – os sul-americanos empataram com Giménez e poderiam ter virado. Foram 26 finalizações uruguaias, doze no alvo. Fora as bolas no travessão da dupla de ataque, responsável por 18 conclusões. Por conta do volume de jogo e dos muitos desarmes certos (35 no total), o Uruguai terminou com mais posse: 54%.

Mas o Japão é que foi a equipe na partida a valorizar a bola, Porque sabe que necessita dela. Não foi acaso a mudança de escola de velocidade para a da troca de passes. A partida mostrou que recuar linhas para jogar em rápidas transições ofensivas não é uma boa estratégia, já que atrai o adversário e perde nas disputas no vigor físico e pelo alto. Melhor tocar a bola e manter o oponente longe da própria área.

Com uma equipe se preparando para os Jogos Olímpicos em Tóquio fica ainda mais difícil ser protagonista. Mas os 2 a 2 confirmam o equilíbrio na Copa América. Só a Colômbia tem 100% de aproveitamento até aqui, mas sofrendo para furar a defesa do Catar. O Uruguai demorou a reagir e pode ser grato aos equívocos da arbitragem, que não vão deixar de existir mesmo com o VAR. Fica a lição: sem atenção qualquer jogo pode se complicar.

(Estatísticas: Footstats)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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