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Goleada fica maior que atuação brasileira. Tite ainda não tem uma equipe

André Rocha

22/06/2019 17h54

Os primeiros 20 minutos da seleção brasileira nos 5 a 0 sobre o Peru em Itaquera não foram tão bons coletivamente em relação ao empate sem gols contra a Venezuela. Mas a bola entrou. Primeiro com Casemiro em lance confuso completando jogada ensaiada em escanteio da esquerda cobrado por Philippe Coutinho. Depois o bom goleiro Gallese, de ótima atuação no jogo da eliminação do Brasil de Dunga em 2016 no mesmo torneio, entregou o gol a Roberto Firmino em falha bizarra.

Feito. Com os dois gols veio a confiança, a torcida que já estava apoiando no estádio bem mais cheio para o padrão desta Copa América aqueceu de vez e o resto foi festa. O gol de Everton na jogada característica cortando da esquerda para dentro fechou o primeiro tempo em 3 a 0 com o goleiro peruano aceitando de novo em chute não tão forte.

O segundo tempo virou treino, também pelo desânimo peruano. Mas com o mérito da seriedade até o final, depois de Daniel Alves ir às redes concluindo assistência de Firmino. No final, o golaço de Willian, que entrou na vaga de Coutinho, cortando da esquerda para dentro e mandando no ângulo. Ainda o pênalti sofrido e desperdiçado por Gabriel Jesus – enfim uma boa intervenção de Gallese.

É óbvio que o resultado elástico pautará a análise geral da atuação da equipe de Tite. Desaparecem as críticas vazias de "time sem identificação", "falta ginga", "ninguém dribla, é só tática" e, no outro extremo, as entradas de Gabriel Jesus e Everton passam a ser tratadas como a fórmula da transformação. Mas a impressão ainda é de que a goleada ficou maior que o desempenho.

Evidente que a confiança com a classificação e o placar elástico pode contribuir para a evolução na reta final. Mas no início da disputa em São Paulo, com o oponente mais posicionado e atento, a circulação de bola desde a defesa seguiu com problemas. Havia espaços entre Casemiro e Arthur, mais recuados, e Coutinho e Firmino por dentro. A tensão também provocou muitas faltas cometidas, inclusive a que gerou o segundo amarelo que suspende Casemiro para as quartas de final.

Como no Mundial do ano passado contra a Bélgica, Fernandinho pode entrar. Mas se o volante não se recuperar de lesão é a chance de Tite unir desde o início Arthur e Allan, formando dupla mais dinâmica de meio-campistas. Também mais baixa, o que pode ser problemático nas jogadas aéreas. De qualquer forma a tentativa é válida. Problema é experimentar em jogo eliminatório.

Em Porto Alegre o adversário pode ser até a Argentina de Messi. Independentemente do rival, o Brasil precisa de ajustes. Apesar dos 67% de posse e 18 finalizações, onze no alvo. No país do resultadismo, a goleada impiedosa certamente significará para muita gente que a seleção está pronta para buscar o título. Não está, mas pode ficar.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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