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O "risco Messi" para o Brasil na semifinal

André Rocha

29/06/2019 07h48

Em 2014, a Alemanha encontrou a melhor escalação, com Lahm na lateral direita e Klose entrando no ataque, contra a França no Maracanã disputando as quartas de final da Copa do Mundo. Foi para a semifinal no Mineirão e sabemos o desfecho…

Quatro anos depois, a Bélgica construiu uma incrível virada nas oitavas do Mundial na Rússia sobre o Japão com Fellaini e Chadli entrando no segundo tempo e marcando os últimos gols dos 3 a 2. Viraram titulares nas quartas contra o Brasil e…

Copa América não é Mundial, mas a responsabilidade da seleção brasileira em casa é grande. Por ter vencido todas as edições em que foi sede e para garantir menos tensão para Tite e comissão técnica na sequência do trabalho pensando em 2022.

A Argentina não mostrou nada demais até agora. Como previsto, os gols no início de Lautaro Martínez condicionaram os jogos contra Catar e Venezuela, dando mais tranquilidade a uma equipe abalada por tantos reveses. Seleção bicampeã do mundo sem títulos desde 1993.

Mas resgatou confiança e sinalizou para o treinador Lionel Scaloni que o 4-3-1-2, com Messi de "enganche" atrás de dois atacantes, entrega algumas soluções ofensivas que tornaram o time mais contundente. Foram 13 finalizações nas quartas de final no Maracanã, sete no alvo, contra seis dos venezuelanos. Mais 17 contra o Catar, oito na direção da meta adversária.

Mesmo considerando a fragilidade dos adversários, foi uma evolução em relação às 12 contra a Colômbia, precisando reverter uma desvantagem, e apenas sete diante dos paraguaios no empate por 1 a 1. Mais jogadores na frente, pisando na área do oponente, e um estilo mais direto, de acionamento frequente de Aguero e Lautaro.

É impossível esperar mais da albiceleste porque não há trabalho consolidado. O treinador não é dos mais experientes e capacitados e o processo de renovação está sendo feito a toque de caixa. Mas conseguiu tirar da cartola algumas boas atuações, como do zagueiro Foyth improvisado na lateral direita, de Paredes na proteção e distribuição de jogo desde a defesa e do próprio Lautaro, decisivo. Mesmo que este seja sempre o escolhido para sair no segundo tempo. Uma questão de "hierarquia" que faz a equipe perder força na frente.

Por incrível que pareça, ainda falta Messi na Argentina. Não que sua contribuição na armação de jogadas não seja importante. Mas o rei das assistências na Europa ainda não entregou um passe para gol e só serviu os companheiros em lances que terminaram em finalizações por quatro vezes, média de um por partida. Gol só de pênalti, sobre os paraguaios. Para o padrão do camisa dez é muito pouco, mesmo considerando os problemas coletivos de sua seleção. Nem os gramados ruins justificam o baixo rendimento até agora.

O perigo para o Brasil é o craque genial despertar no torneio justamente agora. Como alemães e belgas encontraram suas melhores versões nos últimos Mundiais quando a camisa verde e amarela cruzou o caminho. Afinal, na prática faltam dois jogos para os argentinos encerrarem um jejum de conquistas que chega a 26 anos. Se a estrela maior desequilibrar, como fez nas duas últimas edições até a grande decisão, a missão que parecia improvável fica mais possível.

É melhor que Tite e seus comandados estejam atentos ao "risco Messi" da semifinal.

(Estatísticas: Footstats)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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