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Tite não para Messi, mas Gabriel Jesus se redime em sua maior atuação

André Rocha

02/07/2019 23h31

Tite repetiu o plano do duelo com Messi no mesmo Mineirão pelas eliminatórias, na vitória por 3 a 0: um 4-1-4-1 com Coutinho, o meia pela esquerda, Alex Sandro na lateral esquerda e Casemiro entre as linhas de quatro negando espaços ao gênio argentino.

Deu certo no início, principalmente pela eficiência na pressão no campo de ataque que dificultava a bola chegar no camisa dez adversário. O cenário ficou ainda mais favorável com o belo gol brasileiro: jogada fantástica de Daniel Alves, assistência de Roberto Firmino pela direita e gol de Gabriel Jesus, encerrando jejum de nove jogos oficiais sem ir às redes pela seleção.

Uma das duas finalizações brasileiras, ambas na direção da meta de Armani. Foram seis argentinas, uma no alvo. Fora a cabeçada de Kun Aguero no travessão de Alisson.  Porque o Brasil recuou demais as linhas e perdeu transição ofensiva em velocidade, porque Coutinho e Firmino erravam demais quando pressionados.

Sem contar o isolamento de Everton pela esquerda, justamente por conta do posicionamento mais conservador de Alex Sandro. O ponteiro do Grêmio ainda sofria pela tensão natural em seu primeiro jogo de fato grande com a camisa verde e amarela. Não por acaso saiu na volta do intervalo, substituído por Willian.

Porque a Argentina cresceu com Messi encontrando espaços na marcação brasileira. Em bela jogada na primeira etapa limpando três, mas chutando longe. No segundo tempo infiltrando pela esquerda e chutando na trave de Alisson, depois cruzando e Aguero chegando atrasado. Fora a bela cobrança de falta que o goleiro brasileiro pegou sem rebote. A rigor, desta vez Tite não conseguiu parar Messi.

Tudo podia ter sido resolvido na primeira grande jogada de Jesus, servindo Coutinho sozinho, mas o meia, em má fase difícil de reverter, perdeu livre. Tite já tinha invertido os pontas, com Willian pela direita e Jesus do lado oposto. E foi no setor em que surgiu no Palmeiras que o camisa nove, o melhor em campo pouco acima de Daniel Alves, desequilibrou, ganhando de três em fantástica arrancada e devolvendo a assistência a Firmino. Dois a zero.

Depois foi sofrimento, com Miranda na vaga do lesionado Marquinhos. Jesus saiu ovacionado, mas também sentindo. Entrou Allan para fechar ainda mais o meio-campo. E Willian ficou em campo no sacrifício para fazer número no final sofrido. A Argentina se lançou à frente com Di María, Dybala e Lo Celso. Chegou a 14 finalizações, quatro na direção da meta de Alisson.

Cumpriu sua melhor atuação coletiva no torneio, mas está eliminada. Messi, que também fez seu melhor jogo em gramados brasileiros, perde mais uma chance de buscar o título que falta na carreira. Agora só ano que vem, na próxima Copa América. Porque Gabriel Jesus se redimiu no jogo maior da competição e manda os grandes rivais para casa.

Agora é voltar ao Maracanã para a grande final, contra Chile ou Peru. O favoritismo é inquestionável, mas será jogo duro contra qualquer um. É preciso jogar mais. Com a solidez da defesa que ainda não sofreu gol, mas a produção ofensiva que ainda pode evoluir. Com Jesus repetindo na final o que fez no Mineirão.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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