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Pedro Rocha, a surpresa decisiva de Mano que encaminha a vaga do Cruzeiro

André Rocha

11/07/2019 21h53

Quando saiu a escalação do Cruzeiro para o clássico estadual pelas quartas da Copa do Brasil no Mineirão, a surpresa foi a escalação de Pedro Rocha no ataque e Fred no banco de reservas. Ataque sem referência no 4-2-3-1 ou uma mudança para o 4-3-3 com Robinho mais próximo dos volantes Henrique e Ariel Cabral e Thiago Neves formando o ataque como "falso nove" com Marquinhos Gabriel e Pedro Rocha?

Mano Menezes encontrou um meio-termo: duas linhas de quatro bem compactas e Thiago Neves liberado para cair pela direita, justamente no espaço deixado por Robinho, o "ponta-volante" do atual bicampeão do mata-mata nacional. E Pedro Rocha acelerando para cima dos lentos Igor Rabello e Rever.

Mas também saindo da referência para circular por todo campo. Inclusive recuando para limpar Elias e acertar um chute espetacular no ângulo esquerdo de Victor. Supreendendo um Atlético que começou melhor com Luan se juntando a Elias por dentro e chutando forte para boa defesa de Fábio. Chará e Cazares abertos e procurando pouco as combinações por dentro e as infiltrações em diagonal para se aproximarem de Alerrandro, de novo o titular deixando Ricardo Oliveira no banco.

Quando o Galo tentou reagir se instalando no campo de ataque, a saída de bola deu muito errado com a defesa escancarada. Rever errou o passe, a bola passou por José Welison e Pedro Rocha disparou para cima de Rabello até limpar Victor e servir Thiago Neves. 2 a 0 para o Cruzeiro e o rival zonzinho com 27 minutos de jogo.

Cenário para forçar e tentar definir o confronto em 45 minutos, mas o time de Mano Menezes gosta de controlar o jogo com calma e frieza, negando espaços ao adversário. Quatro finalizações, três na direção da meta de Victor e duas nas redes. Cedendo apenas três conclusões, só a de Luan no alvo.

Ciente da insegurança atleticana com a desvantagem, o time celeste voltou do intervalo com intensidade e apostando na pressão logo após a perda da bola. O desarme de Marquinhos Gabriel foi a origem do gol de Robinho logo aos nove minutos para afundar mentalmente de vez o Galo que viveu das cobranças de escanteio de Otero, que entrou na vaga de Luan e foi atuar pela esquerda, centralizando Cazares.

Mano primeiro ousou com Fred no lugar de Robinho e promovendo intensa movimentação dos três meias atrás do centroavante. Depois recorreu à habitual cautela trocando Pedro Rocha por Jadson, que foi ajudar Lucas Romero pela direita. Valeu a solidez defensiva que é a marca cruzeirense em jogos grandes. Também a força mental e a concentração, mesmo com a turbulência política, os problemas financeiros do clube e os nove jogos sem vitoria antes da parada para a Copa América.

Só uma atuação perfeita do Atlético para reverter o quadro. Hoje parece improvável, mesmo sem gol qualificado. Porque Mano surpreendeu apostando na velocidade de Pedro Rocha para desmontar a defesa do rival. Plano executado à perfeição. Incrível como esse Cruzeiro sempre se supera na Copa do Brasil.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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