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Eliminação sinaliza que maior trabalho de Jesus no Flamengo será mental

André Rocha

18/07/2019 01h17

Desfalque de Bruno Henrique pouco antes do jogo no Maracanã. Depois a lesão de Arrascaeta que esfriou a pressão sufocante dos primeiros 20 minutos. Principalmente a qualidade e a força mental de um Athletico com o trabalho de Tiago Nunes consolidado e a confiança de títulos recentes, incluindo a Sul-Americana.

O Flamengo tinha muitos obstáculos para encarar na volta das quartas de final da Copa do Brasil. Tudo teria se descomplicado se Arrascaeta e Lincoln, o substituto de Bruno Henrique na manutenção do 4-1-3-2 de Jorge Jesus, tivessem aproveitado as três oportunidades no período de domínio. Não aconteceu e o time paranaense foi se aprumando no jogo, adiantando a marcação e acelerando os contragolpes com a velocidade do quarteto ofensivo formado por Marcelo Cirino, Nikão, Rony e Marco Ruben, alimentados pelo toque inteligente de Bruno Guimarães.

A liderança e a energia do novo treinador à beira do campo ajudaram a manter o time ligado e atacando, mas era nítida a queda de confiança, com Vitinho aberto pela esquerda com intensidade abaixo dos companheiros e sobrecarregando Diego e Everton Ribeiro na articulação. Até o ponteiro enfim desequilibrar no segundo tempo driblando Jonathan e cruzando. Aí valeu a proposta ofensiva, com muitos jogadores entrando na área adversária: Everton Ribeiro ajeitou e Gabriel Barbosa se antecipou a Robson Bambu.

Além da dupla protagonista no gol, Berrío também estava na área atleticana. O ponteiro entrou no lugar de Lincoln, mas mantendo a dupla de ataque. E preservando as linhas adiantadas que cobraram um preço alto: Rony ganhou de Rafinha na intermediária, disparou e entrou nas costas da defesa para empatar. Levar gol em contragolpe com vantagem no placar é um risco inerente ao modelo de jogo de Jorge Jesus. Ainda mais quando o treinador encara um jogo decisivo com menos de um mês de trabalho e apenas duas partidas oficiais.

O empate trouxe o abatimento de um grupo que vem sofrendo reveses seguidos nas principais competições. Com a queda mental, o desgaste físico bateu no final. A senha para derreter psicologicamente nos pênaltis. A começar por Diego, que cumpriu boa atuação nos 90 minutos, mas não tem retrospecto positivo nas cobranças. Para complicar, o árbitro demorou a autorizar e minou ainda mais a confiança. O chute foi ridículo, até bizarro.

O golpe final no emocional que foi para o espaço no chute por cima de Vitinho e depois Everton Ribeiro também "atrasando" para o goleiro Santos. Diego Alves fez o que pôde, pegando a cobrança de Bruno Nazário e só sendo deslocado no por Bruno Guimarães, mas não evitou a eliminação. Dentro de um confronto equilibrado, em Curitiba e no Rio de Janeiro, qualquer detalhe faz diferença.

O Athletico foi mais sereno e seguro e está na semifinal. Ficou claro para Jorge Jesus que suas ideias podem dar muito certo com tempo e respaldo, mas no Flamengo o maior trabalho, ao menos neste início, será no aspecto mental. É muita pressão para transformar o investimento em conquistas. Para voltar a vencer em nível nacional e internacional, antes de tudo, é preciso ter calma. Sem a montanha-russa do "oba oba" de domingo e a depressão na quarta-feira.

Não há mágica, nem milagre. Só o trabalho consistente que o treinador português é capaz de entregar.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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