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Calendário mais pesado ajuda a explicar queda do Palmeiras

André Rocha

27/07/2019 20h46

Foto: Getty Images

O Palmeiras levou o Paulista em paralelo com a fase de grupos da Libertadores com tranquilidade nos primeiros meses da temporada. Quando o estadual afunilou e o time foi eliminado na semifinal pelo São Paulo nos pênaltis depois de dois empates sem gols, a classificação para as oitavas do torneio continental já estava garantida.

Duas semanas só de treinamentos e jogos contra Melgar e San Lorenzo sem muitas exigências até o início do Brasileiro. Mesmo assim, Luiz Felipe Scolari resolveu poupar titulares contra o CSA em Maceió pela segunda rodada. Os únicos pontos perdidos nos nove primeiros jogos da competição por pontos corridos, até porque o sorteio para as oitavas da Copa do Brasil colocou o Sampaio Correia no caminho e a administração do elenco também foi tranquila.

Agora uma queda brusca, com eliminação no mata-mata nacional para o Internacional e sete pontos perdidos em nove no Brasileiro. O que há com o elenco mais poderoso do país? É claro que a pausa para a Copa América veio no ápice do desempenho e pode, sim, ter desmobilizado um pouco a equipe e oscilado o rendimento. Afinal, na derrota, por 2 a 0 para o Ceará em Fortaleza que encerrou a invencibilidade de 33 partidas pelo Brasileiro, Felipão mandou a campo os titulares. Nitidamente abalados pela eliminação para o Colorado na Copa do Brasil. Mas o rodízio no elenco não tem surtido o mesmo efeito.

A administração de um calendário mais pesado ajuda a explicar a queda do atual campeão brasileiro. Pela primeira vez na temporada surgiu a necessidade real de dividir atenções e estabelecer prioridades. E, assim como no ano passado, está claro que no mata-mata a equipe sempre contará com os titulares.

Até porque a proposta de jogo requer muita concentração e intensidade, além da precisão de quem não tem a posse de bola como princípio em seu modelo de jogo e precisa definir bem as jogadas. A queda de produção das individualidades que antes desequilibravam, como Dudu, também vem prejudicando o trabalho coletivo.

Com o empate por 1 a 1 do time misto com o Vasco no Allianz Parque, o time pode perder a liderança no Brasileiro para o Santos, que enfrenta o Avaí em casa. O mesmo time de Jorge Sampaoli atropelado na quinta rodada por 4 a 0 e a melhor atuação alviverde em 2019. Quando havia tempo e descanso.

Resta a Libertadores. É preciso confirmar a classificação para as quartas da competição sul-americana em casa contra o Godoy Cruz depois dos 2 a 2 na ida e buscar a retomada no Brasileiro com as folgas inesperadas e indesejadas nas datas de Copa do Brasil. O reconhecimento de que o contexto de agora é diferente em relação a 2018 é um bom começo. Felipão e seus comandados têm que encontrar novas soluções.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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