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Por que Daniel Alves no São Paulo precisa ser um "oito" com a camisa dez

André Rocha

02/08/2019 07h41

Imagem: Divulgação

Daniel Alves é a maior contratação do futebol brasileiro em 2019 pelo que representa. A carreira vencedora na Europa não só pelo protagonismo em um Barcelona histórico, mas também por boas passagens por Juventus e PSG, sem contar o início bem sucedido no Sevilla. Ainda tinha mercado no exterior, mas aceitou voltar ao Brasil.

Retorna para o desafio de voltar a fazer o time de coração vencedor. Assim como encarou a missão na Juventus e PSG de conquistar a Liga dos Campeões. Falhou, mas a mentalidade vencedora pode contribuir muito no nosso futebol, mesmo aos 36 anos. E voltar a uma equipe disputando apenas o Brasileiro pode ser positivo por não estar no olho do furacão, com dois jogos por semana e já envolvido em disputas eliminatórias com enorme pressão e urgência na readaptação ao nosso jogo.

Parece claro, porém, que o melhor aproveitamento em campo no Brasil é no meio-campo. Pela inteligência, leitura de jogo e de espaços e técnica apurada nos passes. Recebe a camisa dez, mas pode ser um "oito" diferente à disposição de Cuca. Como foi no PSG em alguns momentos da temporada, até pela carência no elenco desequilibrado do abastado clube francês.

É óbvio que também pode contribuir na lateral, como fez recentemente na seleção brasileira durante a Copa América e foi o melhor jogador do torneio. É um dos melhores e maiores da história na posição. Ainda que tenha formação de ala e eventualmente falhe em suas atribuições defensivas, Daniel Alves pode compor uma linha de quatro com bom posicionamento e qualificando a saída de bola. Até pela carência do São Paulo na posição desde a partida de Éder Militão para o Porto.

Mas seria um enorme desperdício. Daniel Alves no Brasil é jogador para arrumar time, mudar de patamar. Também resgatar uma tradição do clube com grandes armadores: Gerson, Pedro Rocha, Pita, Toninho Cerezo… Precisa ocupar uma zona do campo em que participe mais e toque na bola com frequência. Ditando o ritmo, inclusive. Na intensidade proposta por Cuca é uma solução até para os momentos em que uma pausa é necessária. Ou seja, pode cumprir a função que Hernanes não vem conseguindo.

Dani Alves pode contribuir também com a evolução do jovem Igor Vinicius na lateral direita. Com orientações, passando experiência e confiança em campo, procurando o setor para dar apoio e opção de passes mais simples para, na sequência, aproveitar a explosão que o veterano já não tem mais para explorar o corredor.

Se Cuca for ousado pode testar a nova contratação em uma função de "regista": à frente da defesa como o armador da equipe mais recuado. Com passes curtos, longos e inversões de lado. Também mais espaço em uma zona menos pressionada. Questão de acertar a colaboração de Tche Tche e dos companheiros sem a bola.

O certo é que o espírito e o otimismo de Dani podem ajudar muito o clube que vem pecando nas últimas temporadas pela postura um tanto morna, às vezes até conformada com o status atual de coadjuvante no futebol paulista e brasileiro. Agora será obrigado a pensar grande com o jogador mais vencedor da história: 40 títulos, em clubes e na seleção. Dezoito desde o último são-paulino, a Copa Sul-Americana de 2012.

Um currículo invejável de novo em nossos campos. Ótima notícia. Agora é conferir se haverá a química que o São Paulo precisa para voltar a vencer. Com Daniel Alves, de preferência no meio-campo, as chances aumentam consideravelmente.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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