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Fluminense sai do "Dia da Marmota" no Brasileiro

André Rocha

03/08/2019 21h08

O primeiro tempo no Maracanã deixou a impressão de que o Fluminense de Fernando Diniz viveria mais do mesmo na 13ª rodada do Brasileiro: um bom início, com intensidade, pressão na saída de bola do adversário e chute de Pedro na trave direita de Marcelo Lomba. Mas depois a posse de bola passa a ser um fim em si mesmo, o adversário – mesmo os reservas do Internacional que é mais um que prioriza Copa do Brasil e Libertadores – vai se aprumando no jogo e até foi para o intervalo com a impressão de que poderia ter aberto o placar.

Quase uma constante no time que faz jogos agradáveis e divertidos, mas que havia somado apenas sete pontos nas 12 primeiras rodadas. Proposta arrojada, mas oscilações no nível competitivo e falhas individuais para atrapalhar. Com exceção dos 3 a 0 impostos pelo Athletico na Arena da Baixada, sempre jogos disputados. E vitórias épicas sobre Grêmio e Cruzeiro.

Depois de sete rodadas sem vencer, o Fluminense estava pressionado. Mesmo com classificação para as quartas da Sul-Americana. Mas não abriu mão de sua maneira de jogar. Faltava o acabamento preciso nas jogadas bem coordenadas. Até Caio Henrique colocar a bola na cabeça de Yony González. Tranquilidade para Diniz descansar Marcos Paulo e dar minutos a Nenê e estrear Wellington Nem.

Também ver Paulo Henrique Ganso fazer um belo segundo tempo, muito bem assessorado por Allan e Daniel no 4-3-3 de Diniz. Sobraram espaços cedidos pelo Inter para o contragolpe bem executado que terminou com o gol contra de Natanael. Depois foi só controlar, com linhas mais recuadas e a pitada de pragmatismo que vinha faltando nos pontos corridos.

Mas não podia faltar a falha individual. Novamente de Muriel, depois do erro no primeiro gol de Reinaldo na derrota por 2 a 1 para o São Paulo. Saída errada, gol de Edenilson, que entrou com D'Alessandro e William Pottker para fazer o Inter crescer na reta final do jogo. Preocupante a saga da equipe sem um goleiro confiável. Impossível não lembrar do inferno vascaíno em 2013 no segundo rebaixamento da história do time cruzmaltino. Jogar Série A com deficiência crônica na própria meta é mais que temerário.

No apito final, o alívio pelos três pontos e a saída temporária do Z-4. Deixando também uma rotina incômoda, como a do personagem Phil Connors, interpretado magistralmente por Bill Murray em "Feitiço do Tempo". Filme de 1993 que retrata a saga do repórter arrogante que não conseguia sair do "Dia da Marmota" celebrado em uma pequena cidade. A cada 24 horas, a mesma rotina. Até que algo diferente acontece…(sem spoiler, veja o filme que é excelente!)

O Flu sai do sufoco, porém necessita de mais consistência e eficiência. 56% de posse e 20 finalizações, oito no alvo. Mas permitiu 14, cinco na direção da meta de Muriel. Era jogo para menos sustos e placar mais elástico. Agora resta secar o Cruzeiro focado na Copa do Brasil no clássico mineiro e aproveitar a confiança para melhorar o desempenho e viver dias melhores. Sem dominar as partidas e perder nos detalhes. Sem "marmotas".

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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