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Bahia repete 2000 e atropela Flamengo estelar. Gilberto foi Jajá

André Rocha

04/08/2019 18h12

Em setembro de 2000, o Flamengo enfrentou o Bahia na Fonte Nova. Vinha de cinco jogos invictos na Copa João Havelange e enfrentaria um adversário de campanha irregular. Em campo, três estrelas contratadas com a parceria da ISL: Petkovic, Edilson e Denilson. Gamarra e Alex ficaram de fora. Mais o jovem Adriano e Júlio César na meta. Clima de festa em Salvador, recepção calorosa no aeroporto… E goleada por 4 a 1 do Bahia de Evaristo de Macedo sobre a equipe comandada por Carlinhos. Três gols do centroavante Jajá, grande destaque da partida.

Quase 19 anos depois, um cenário parecido. Com estreia de Filipe Luís e mais Diego Alves, Rafinha, Everton Ribeiro, Gerson, De Arrascaeta e Bruno Henrique em campo. Sem Gabriel Barbosa, lesionado e suspenso, Jorge Jesus desfez o 4-1-3-2 e repaginou a equipe num 4-2-3-1 mais básico, com Piris da Motta na vaga do desgastado Cuéllar, Everton e Gerson abertos, De Arrascaeta centralizado e Bruno Henrique mais adiantado.

Muitos titulares apesar do enorme desgaste físico e emocional da classificação para as quartas da Libertadores vencendo o Emelec no tempo normal e nos pênaltis. Novamente aquele ambiente festivo típico das idas do Fla ao Nordeste. Quem conhece a história do clube era capaz de imaginar que a desmobilização seria natural.

Para tornar tudo ainda mais complicado, uma boa atuação do Bahia de Roger Machado. No 4-1-4-1 costumeiro, trazendo todos os jogadores para o próprio campo na compactação defensiva e acelerando nos contragolpes. Especialmente a eficiência no ataque, aproveitando falhas do oponente.

Vacilo de Thuller no posicionamento dando condição legal, gol de Gilberto. Erro de Diego Alves na saída da meta com os pés, outro do camisa nove. Transição defensiva catastrófica dos rubro-negros, assistência de Artur e o terceiro do artilheiro da tarde, que não ia às redes desde maio. O Fla não sofria três gols em uma mesma partida há um ano. Tudo isso em 45 minutos. Cinco finalizações do Bahia, quatro no alvo e três gols. Mesmo com apenas 38% de posse.

A segunda etapa foi do Flamengo, com Reinier e Renê nas vagas de Piris e Filipe Luís e depois Berrío substituindo Arrascaeta, mantendo linhas adiantadas e buscando o ataque. Concluiu doze vezes, porém apenas uma na direção da meta de Douglas Frienrich. Faltou profundidade aos ataques sem o "Gabigol". Rafinha não conseguiu chegar ao fundo, nem houve espaços às costas da defesa do time da casa para a velocidade de Bruno Henrique.

O Bahia teve chances de ampliar e a entrada de Ramires no lugar de Giovanni melhorou a produção do meio-campo. Sete finalizações certas em onze. Pode e deve ser a referência de desempenho do time de Roger Machado dentro da proposta de jogo.

Jorge Jesus precisa refletir sobre a gestão do elenco na temporada, mesmo com tantas lesões. Dentro de um grupo heterogêneo em termos de condição física e capacidade de competir não é possível entregar intensidade total duas vezes por semana. Ainda mais em um Flamengo que costuma pagar pela desconcentração.

Aconteceu em 2000, na velha Fonte Nova. No estádio renovado, um roteiro parecido com o mesmo desfecho. Melhor para Gilberto, que foi Jajá.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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