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Rogério Ceni no Cruzeiro e a balela de "identidade" no futebol brasileiro

André Rocha

11/08/2019 16h54

No auge da Era Mano Menezes, com a conquista do bicampeonato da Copa do Brasil, o Cruzeiro se vangloriava por seguir o caminho do Corinthians no início da década e construir uma identidade de jogo sólida e competitiva. Consistência defensiva, priorizar mata-mata com pragmatismo. Quem ouvia dirigentes, treinador, jogadores e até parte da torcida imaginava algo consciente, planejado. Uma escolha na maneira de jogar futebol.

Bastou não colher os resultados imediatos depois de três anos para o clube não só aceitar o pedido de demissão do treinador como também escolher um profissional com perfil diametralmente diferente: Rogério Ceni é um treinador jovem, com menos de três anos de experiência e apenas dois clubes – São Paulo e Fortaleza.  Acima de tudo, uma visão de futebol oposta em relação a Mano.

Ceni acredita em protagonismo pela posse de bola e vocação ofensiva. Arriscou mais no São Paulo e aprendeu a ser adaptar ao contexto no Fortaleza, com mais compactação defensiva e aceleração nos contragolpes. Mas sempre acreditando no jogo coletivo voltado para o ataque. No Cruzeiro terá elenco para ousar mais, até por necessidade: precisa pontuar no Brasileiro para sair do Z-4 e buscar reverter no Beira-Rio a desvantagem contra o Internacional para tentar a hoje improvável classificação para a final da Copa do Brasil.

Uma escolha arrojada e até saudável –  questões éticas à parte, já que no mercado de treinadores não há nenhuma regulação da CBF e o Fortaleza não tem a quem recorrer. Mas o Cruzeiro é mais um clube que vai ao sabor dos ventos dos resultados. A identidade válida é a que está vencendo agora, ou ao menos a que tem algum crédito por conquistas recentes. Mano tinha a "fórmula" para se dar bem na Copa do Brasil e a virtude era superestimada, utilizada como álibi para todos os equívocos no meio do caminho, dentro e fora de campo, e blindagem para qualquer crítica mais contundente.

Agora nada mais presta, a terra está arrasada e Ceni chega como o messias para a salvação. Novas ideias, novos processos. Julgados jogo a jogo, resultado a resultado. Até nos inúteis estaduais. O eterno recomeçar do futebol brasileiro. O resto é balela.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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