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Bruno Henrique e Diego Alves simbolizam o abismo entre Flamengo e Vasco

André Rocha

17/08/2019 21h12

A mudança de Jorge Jesus que deu certo na vitória do Flamengo sobre o Grêmio não funcionou no início do clássico carioca em Brasília. Um 4-3-3 com Cuéllar plantado, Gerson e Willian Arão por dentro, Bruno Henrique e De Arrascaeta nas pontas e Gabriel Barbosa voltando ao time no centro do ataque.

Muitos espaços entre os setores e facilitando o jogo de transições do Vasco, armado novamente por Vanderlei Luxemburgo no 4-1-4-1, que acelerava em busca do jovem Talles Magno na frente. Mas teve as melhores oportunidades pela direita, aproveitando as dificuldades de Filipe Luís na adaptação ao futebol brasileiro e a um sistema defensivo menos organizado que o do Atlético de Madrid comandado por Diego Simeone.

Duas falhas do lateral: a primeira rebatendo mal nos pés de Talles, que bateu pra fora e depois permitindo a infiltração de Pikachu, que bateu no travessão. Pablo Marí também vacilou ao ficar muito distante do companheiro e errou em outro lance sendo driblador com facilidade por Raul, mas Diego Alves salvou o chute do meio-campista.

Foi suficiente para o treinador português orientar seus comandados a voltarem ao 4-1-3-2 e retomar o controle do jogo.

Bruno Henrique já havia desviado uma bola que bateu no travessão. Pela esquerda, o movimento perfeito para dentro em tabela com Arrascaeta para abrir o placar. Gol único do primeiro tempo de 61% de posse do Fla e seis finalizações, quatro no alvo, contra cinco cruzmaltinas, duas na direção da meta de Diego Alves. O período de domínio do time de Luxemburgo gerou mais chances nos primeiros 45 minutos, porém o clássico teve equilíbrio.

Parou aí a disputa parelha. O Fla sobrou na segunda etapa com atuação inspirada, também explorando os espaços que o Vasco passou a ceder. Não demorou a sair o segundo, novamente com Bruno Henrique pela esquerda, tabelando com Cuéllar e ganhando da defesa para tocar por cima de Fernando Miguel. A bola entrou antes do toque de Gabriel dividindo com Castán, mas a arbitragem deu o gol para o camisa nove.

Na sequência, o primeiro pênalti para o Vasco. Mais um da ditadura do "defensor sem braço". Thuler colocou os braços para trás, mas depois se virou para tentar bloquear o cruzamento. Difícil notar a intenção de não jogar do defensor. Mas é a orientação da FIFA e Vuaden não errou. Yago Pikachu é que bateu mal e Diego Alves pegou. Na comemoração, a distração que Leandro Castán aproveitou para completar a cobrança de escanteio.

Poderia reequilibrar o clássico, mas veio o terceiro gol do Fla com duas pinturas: o passe longo de Pablo Marí para Gerson aberto pela direita e a jogada deste cortando para dentro e colocando a bola na cabeça de Bruno Henrique. De novo o atacante convocado por Tite para os amistosos contra Colômbia e Peru em setembro. Mas Fernando Miguel espalmou e Gabriel Barbosa aproveitou o rebote para marcar o décimo primeiro gol do artilheiro do Brasileiro.

A pá de cal em sequência frenética: pênalti tolo de Arrascaeta sobre Castán – o que fazia o meia bem mais baixo com o zagueiro melhor cabeceador do rival? Bruno César, que entrara na vaga de Raul Cáceres, "telegrafou" o canto e Diego Alves pegou mais um. Desta vez houve atenção do Fla no rebote. Até demais. Contragolpe rápido e pênalti, também bobo, de Oswaldo Henríquez, sobre Bruno Henrique. 4 a 1 consolidado com a cobrança de Arrascaeta.

Quinze finalizações, onze no alvo. Eficiência que ressalta o abismo atual entre os rivais cariocas que já ficou claro no estadual. O Fla aumentou o poder de investimento e o Vasco sofre para pagar contas básicas. Nada menos que treze pontos de distância na tabela entre o time que luta pelo título e o outro que busca apenas se manter na Série A, quem sabe beliscar uma vaga na Sul-Americana.

Em campo, Bruno Henrique e Diego Alves simbolizaram bem essa vantagem. Um gol e participação decisiva nos outros três  do atacante e dois pênaltis defendidos pelo goleiro. Na qualidade individual, o Flamengo sobra hoje no Rio de Janeiro. Mesmo quando o clássico acontece no Mané Garrincha.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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