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Corinthians depende demais de Fagner e Flu pragmático volta com bom empate

André Rocha

22/08/2019 23h59

Doze cruzamentos, quatro certos. Dois desarmes corretos, quatro dribles, 50 passes certos e sete errados. Os números de Fagner no empate sem gols com o Fluminense pela Copa Sul-Americana ressaltam a importância cada vez maior do lateral do Corinthians e da seleção brasileira no melhor momento da equipe de Fabio Carille na temporada.

Na execução do 4-1-4-1, as triangulações com Junior Urso e Pedrinho pela direita são a melhor solução ofensiva para criar espaços. O meio-campista vira o jogo para o lado mais forte, o ponta canhoto abre o corredor e o lateral passa com timing, velocidade e técnica. Fundamental diante de um sistema defensivo que nega espaços.

Sim, o time visitante, liderado por Marcão, interino e auxiliar permanente do clube, enquanto Oswaldo de Oliveira não assume o comando técnico, teve mais cuidados defensivos. Também no 4-1-4-1, inicialmente com Nenê pela direita, Marcos Paulo do lado oposto e Yony González na frente.

Mas justamente pelo sofrimento na marcação do jovem atacante tricolor contra Fagner, Yony González recuou pela esquerda, Marcos Paulo trocou de lado e Nenê foi fazer uma espécie de "falso nove". Para tentar ditar o ritmo com Ganso por dentro. Ainda com a marca de Fernando Diniz, mas apelando para a ligação direta quando muito pressionado e não se incomodando com momentos de maior posse de bola do oponente.

O Corinthians rodou a bola, mas faltou criatividade e também profundidade, já que Clayson não conseguia levar vantagem contra Igor Julião e Vagner Love era contido pelo jogo simples dos zagueiros Nino e Frazan. A ponto de Carille apelar na reta final para um 4-4-2 com Boselli e Gustavo no centro do ataque e Jadson e Clayson abertos. Toque de um lado para o outro e bola levantada na área – 43 no total!

Na melhor chance, já nos acréscimos, cruzamento de Fagner, sempre ele, e cabeçada de Gustavo no travessão. A finalização mais perigosa das 13, cinco no alvo. Posse de bola dividida e nada menos que 35 rebatidas do Flu. Pragmático por necessidade, para seguir vivo na competição continental. Cinco conclusões, só a de Nenê no alvo ainda no primeiro tempo.

Pouco perto do que produzia antes, mas o suficiente para igualar o duelo, não sofrer gols depois de nove partidas e levar a decisão das quartas-de-final para o Maracanã. Vai precisar da torcida e de um pouco mais de coragem, já com Oswaldo à beira do campo. Usando na dose certa a vocação ofensiva dos tempos de Diniz.

O Corinthians deve ter mais espaços para Carille não depender tanto de Fagner. O destaque solitário do time da casa na noite fria em Itaquera.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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