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Corinthians de Fábio Carille é mesmo adepto do "saber sofrer"

André Rocha

30/08/2019 00h22

Foto: Nayra Halm/FotoArena/Estadão Conteúdo

O Corinthians finalizou treze vezes em Itaquera e dezesseis no Maracanã com mais de 57 mil presentes. Cinco no alvo em cada partida pelas quartas da Sul-Americana contra o Fluminense que teve o interino Marcão em São Paulo e a estreia de Oswaldo de Oliveira, o sucessor de Fernando Diniz no comando técnico.

Por conta do mando de campo, a equipe de Fábio Carille tentou ocupar mais o campo de ataque em casa e reagir como visitante à iniciativa do adversário. Das duas maneiras dominou as partidas e poderia ter definido a classificação para a semifinal com mais tranquilidade.

Mas o time paulista parece mesmo ser adepto do "saber sofrer". Jargão para times reativos que agrupam os setores no próprio campo, não se incomodam com a maior posse de bola do oponente e tenta controlar o jogo negando espaços para as infiltrações. É atacado seguidamente, mas não abre mão de sua estratégia.

Mesmo quando criam mais, as equipes parecem atraídas pelo perigo e desprezam o conforto de sobrar em campo e no placar. O Corinthians vai encontrando um bom caminho na execução do 4-1-4-1 com os ponteiros Pedrinho e Clayson cortando para dentro com pés "trocados", Vagner Love se movimentando e dando profundidade aos ataques e os meio-campistas por dentro Júnior Urso e Mateus Vital se aproximando e aparecendo na área adversária para finalizar. Sem contar as jogadas de Fagner pela direita, grande válvula de escape do trabalho coletivo.

Bom volume de jogo, chute no travessão de Love completando lindo passe de Pedrinho. Pressão no campo de ataque e quase gol de Vital em falha de Muriel na saída de bola. O Corinthians dependia menos de Fagner e aproveitava o Flu no meio do caminho entre o estilo personalíssimo de Diniz e o que Oswaldo pretende, adicionando um pouco mais de solidez defensiva e pragmatismo.

O time carioca sofreu com a velocidade de Clayson e faltou sorte na bola desviada em Igor Julião que caiu no pé esquerdo de Pedrinho para abrir o placar. Ofensivamente viveu das bolas paradas e dos chutes de longe de Nenê, novamente escalado como "falso nove" e tentando trabalhar no espaço entre Gabriel e a dupla de zaga formada por Manoel e Gil.

No abafa conseguiu o empate com Pablo Dyego, assistência de Nenê em cobrança de falta pela direita, e a reta final, com nove minutos de acréscimo, foi de um sufoco desnecessário para o Corinthians que não abdicou do ataque e teve até gol (bem) anulado de Matheus Jesus. Mas a vaga para enfrentar o Independiente del Valle não precisava vir no gol "qualificado" com o 1 a 1 fora de casa.

O Corinthians jogou para vencer as duas partidas, mas só foi às redes uma única vez. A identidade corintiana com Fabio Carille parece afeita ao dito popular que se ouve de onze entre dez torcedores do clube: "se não for sofrido não é Corinthians". Valeu a sobrevivência, apesar de todos os riscos.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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