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Data FIFA prejudica Santos, mas arbitragem compensa. E olho em Tiago Nunes!

André Rocha

08/09/2019 19h46

O Santos sentiu muita falta de sua ala pela esquerda no empate por 1 a 1 na Vila Belmiro contra os reservas do Athletico. Jorge com a seleção brasileira, Soteldo na Venezuela. Mais Derlis González pelo Paraguai e Cueva por Gareca na seleção peruana. Sobrou Felipe Jonatan para abrir o campo pelo setor mais desfalcado.

No 4-4-2 armado por Sampaoli, Lucas Veríssimo era um lateral mais preso à defesa pela direita, deixando o corredor todo para Marinho. O ponteiro foi o melhor do Santos em campo, mas, canhoto, sempre cortava para dentro e afunilava o jogo. Na única chegada ao fundo do time nos primeiros 45 minutos, Felipe Jonatan serviu Uribe, que perdeu chance cristalina.

O colombiano tinha a companhia de Eduardo Sasha na frente e mais a aproximação de Carlos Sánchez, que circulava por todo campo. Jean Mota e Diego Pituca buscavam qualificar a saída de bola e construir de trás, mas deixavam muitos espaços às costas e perdiam o duelo contra Lucho González e Matheus Rossetto.

Porque o Athletico, mesmo sem os titulares, mantém a proposta de jogo corajosa. Atacava mais pela direita com Madson que à esquerda com Adriano, surpreendentemente o pior da equipe. Uma rotação abaixo da disputa e com erros bobos, além da dificuldade para conter Marinho. Parece ser outro com dificuldades para se adaptar ao futebol brasileiro depois de muitos anos na Europa.

A dupla de meio-campistas rubro-negros acionava o móvel quarteto ofensivo formado por Braian Romero e Vitinho, normalmente abertos, e Thonny Anderson e Everton Felipe explorando justamente os espaços às costas dos volantes santistas. Sem uma referência no ataque,  o time paranaense criou as chances mais claras, apesar de finalizar menos que o time da casa – oito a seis, três no alvo para cada lada. Abriu o placar com Romero, completando na pequena área chute cruzado de Anderson.

Segundo tempo de pressão total santista. Com intensidade máxima, mas nem tanta organização. Sampaoli trocou Jean Mota por Lucas Venuto, que estreou vindo do futebol canadense e abriu pela esquerda, com Jonatan apoiando mais por dentro. Depois o argentino sacou Felipe Aguilar e colocou Pará para tentar explorar o corredor pela direita.

O Athletico foi cansando, mas sem abdicar do ataque. Tomás Andrade entrou bem na vaga de Everton Felipe e puxou alguns contragolpes pela direita. Por precaução, Tiago trocou o amarelado Adriano por Abner. Depois descansou Lucho e mandou a campo Erick. Mas finalizou apenas uma vez, contra 14 do Santos na etapa final.

Faltava, porém, a precisão ao alvinegro praiano, mesmo fazendo do goleiro Léo o melhor em campo do adversário. Não só no acabamento, mas também na construção. Foram 63% de posse e 46 passes errados. Mais 45 lançamentos e 47 cruzamentos que obrigaram o Athletico a apelar 57 vezes para as rebatidas.

Virou ataque contra defesa. Mas a impressão era de que o Santos, embora não faltasse entrega, não conseguiria reverter a desvantagem no placar que daria a liderança, agora em pontos e não apenas no saldo de gols, para o Flamengo.

E aí veio o pênalti mais que questionável. O primeiro contato entre Marinho e Romero foi fora da área. Como o árbitro Rodrigo Carvalhaes de Miranda marcou inicialmente. Mas o VAR chamou para mudar a interpretação. Como as arbitragens brasileiras continuam caseiras e olhando demais o contexto! Santos na Vila lutando pela ponta da tabela, Athletico com os reservas, mais ligado na Copa do Brasil…"Um pênalti, o jogo empata e fica tudo bem".

Desculpem, mas essa leitura é inevitável. Mesmo sem acusar de algo premeditado. As próprias declarações que escapam dos ex-árbitros hoje comentaristas em meio às análises deixam claro que o apitador vê colocação na tabela, peso de camisa, mando de campo, etc. Isso nem o recurso do vídeo parece capaz de mudar.

Inegáveis apenas a categoria e a coragem de Carlos Sánchez na cobrança com cavadinha já entrando nos acréscimos. Para salvar um Santos que pode e deve lamentar muito os desfalques pelas datas FIFA em um calendário que não pára. Agora enfrenta o líder Flamengo no Maracanã para não perder contato com a ponta da tabela. Perde Pituca, suspenso pelo terceiro amarelo, mas ao menos deve contar novamente com Jorge e Soteldo.

O Athletico agora só pensa em Copa do Brasil, na busca de um título inédito. Para se juntar à Copa Sul-Americana entre as conquistas desta equipe já marcante comandada por Tiago Nunes. Um treinador que merece atenção pela qualidade de seu trabalho, aprimorando as ideias deixadas sem resultados por Fernando Diniz.

Mas também vale ficar de olho no seu comportamento em algumas ocasiões. Quase saiu no braço com Jorge Sampaoli ao final do jogo, transparecendo uma raiva e reagindo desproporcionalmente ao jogo que foi tenso e teve expulsão e polêmica com o preparador físico Pablo Fernández. Em coletivas, sempre tem uma ironia direcionada a um colega estrangeiro e ironizou Jorge Jesus quando sua equipe eliminou o Flamengo nas quartas da Copa do Brasil.

Desnecessário para um profissional mais que promissor que vai construindo uma bela carreira e, com reservas, tirou dois pontos como visitante de um candidato ao título.

(Estatísticas: Footstats)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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