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A mudança de espírito no Palmeiras e os problemas crônicos do Fluminense

André Rocha

10/09/2019 22h55

Não houve tempo para Mano Menezes colocar suas ideias no Palmeiras. Um jogo sábado em Goiânia e já em campo na terça para pagar no Allianz Parque o jogo que faltava para fechar o turno com os demais no fim de semana.

Mas a virada no fim de semana depois de mais de um ano sem remontadas de Felipão foi daquelas vitórias para mudar o espírito. O "fato novo" com a troca no comando técnico e o triunfo da maneira que vinha faltando. É subjetivo, soa a clichê. Mas na prática conta muito.

E foi a senha para os 3 a o sobre o Fluminense em frangalhos que parece ter afundado ainda mais com Oswaldo de Oliveira. Embora os erros do time carioca continuem os mesmos: controle pela posse de bola (57%) com linhas adiantadas que expõem a defesa, dinâmica ofensiva até interessante, mas uma deficiência crônica nas finalizações que só se alastra com a perda de confiança dentro do contexto de um time na zona de rebaixamento.

Foram doze no jogo, apenas uma na direção da meta de Fernando Prass. O gol que João Pedro perdeu em uma partida fora de casa contra um dos candidatos ao título é imperdoável, mesmo considerando a juventude do mais que promissor atacante. Já Luiz Adriano finalizou quatro vezes nos quase 70 minutos em que esteve em campo até sair para a entrada de Borja. Três no alvo e perfeitas.

A referência do 4-2-3-1 que teve Dudu pela direita na linha de meias e Gustavo Scarpa mais centralizado. Sem a bola, duas linhas de quatro próximas e organizadas para marcar por zona. Atacando, um cuidado maior no trato com a bola e muitas jogadas pelas laterais.

Aproveitando as fragilidades defensivas dos laterais Gilberto e Caio Henrique e, no primeiro gol, com o "plus" de Paulo Henrique Ganso parando e permitindo que Diogo Barbosa infiltrasse livre para finalizar na trave e Luiz Adriano conferir no rebote.

No lado oposto, Marcos Rocha e Dudu deitaram e rolaram com direito às assistências dos dois últimos gols. O lateral foi o melhor passador e quem mais ficou com a bola na equipe, ganhando fácil o duelo com Nenê, novamente sem intensidade para um jogo desse tamanho.

Apesar dos muitos pecados do adversário, o Palmeiras teve volume e bom índice de acertos: 15 conclusões, nove no alvo. Sem tanta pressa de definir as jogadas, investindo em precisão. Para arejar o ambiente de vez e, com apenas o Brasileiro para disputar por mais de um turno e só a três pontos do topo da tabela, acreditar que o bicampeonato pode voltar ao horizonte.

É cedo, vejamos nos jogos contra os times na parte de cima da tabela. Mas o gol de Scarpa no Serra Dourada é daqueles que parecem mudar a direção do vento. Ou retomar o norte.

(Estatísticas: Footstats)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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