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Bayern atropela Tottenham sem precisar do brilho de Philippe Coutinho

André Rocha

01/10/2019 18h24

Golear o vice-campeão da última edição da Liga dos Campeões é uma indiscutível demonstração de força para o heptacampeão alemão que domina a Bundesliga, mas vem falhando no torneio continental. Embora nas últimas seis edições desde o título de 2012/13 o time bávaro tenha caído cinco vezes para o campeão e em 2015/16, última temporada de Pep Guardiola, foi eliminado na semifinal pelo vice Atlético de Madrid.

Os 7 a 2 em Londres carrega um simbolismo que pode transferir a confiança que vem faltando à equipe de Niko Kovac, embora a virada da fase de grupos para o mata-mata signifique uma mudança profunda competição. Uma atuação brilhante, com volume de jogo quando necessário, no ritmo de Kimmich, autor do primeiro gol, e Tolisso no meio-campo, depois Thiago Alcântara e Kimmich na lateral direita com a saída por lesão de Alaba – Pavard inverteu de lado na defesa. Terminou com 58% de posse e 84% de acerto nos passes.

Mas principalmente com a incrível velocidade nas transições ofensivas do trio formado por Coman, Lewandowski e Gnabry, este o grande destaque marcando quatro gols no segundo tempo, deitando e rolando nas infiltrações em diagonal. Mas Aurier e Alderweireld não acharam o atacante pela esquerda desde o primeiro minuto de um jogo aberto e eletrizante na maior parte do tempo, especialmente na primeira etapa.

Com Son abrindo o placar para os Spurs, aproveitando falha de Tolisso na saída de bola. Mas o time de Mauricio Pochettino foi perdendo intensidade e rapidez na transição defensiva. Nem pressão pós-perda, nem recomposição veloz. Com atuação catastrófica de Ndombélé, que colocou Eriksen no banco na função pela esquerda no trio do meio do 4-3-1-2 do time inglês. Erro só corrigido na segunda etapa, mas já era tarde para evitar o atropelamento.

Porque o Bayern sobrou e deu espetáculo. Finalizou 20 vezes, 11 no alvo. Mas só contou com participação mais efetiva de Philippe Coutinho no final, com o jogo decidido. Não pela omissão do meia brasileiro, mas porque na execução do 4-2-3-1 armado por Kovac a bola passou pouco pelo camisa dez. Circulação quase sempre dos defensores para os volantes com qualidade no passe e desses para os ponteiros ou diretamente para Lewandowski.

O quinto gol foi simbólico: lançamento primoroso de trinta metros de Thiago para Gnabry disparar e tocar na saída de Lloris.  Com espaços à vontade, Coutinho só apareceu em uma finalização e no passe para Lewandowski fazer o sexto. Atuação correta, não exatamente destoando dos demais. Mas inegavelmente sem brilho.

Um problema minúsculo perto da hecatombe no Tottenham. Apesar das 15 finalizações, oito no alvo, o segundo gol saiu em um pênalti bastante discutível de Coman em Rose que Harry Kane converteu. Fez Neuer trabalhar do outro lado, mas defensivamente não existiu. Com deficiências que vêm da temporada passada e foram compensadas pelo ataque. Erros individuais, setores espaçados e a última linha lenta e desorganizada.

Só podia dar muito errado diante de um Bayern inspirado, com qualidade em todos os setores e sem precisar do protagonismo da grande contratação da temporada para construir um placar histórico.

(Estatísticas: UEFA)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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