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Pela "Lei de Guardiola", é hora do Liverpool encerrar seu jejum vergonhoso

André Rocha

07/10/2019 14h08

Foto: Liverpool FC

Imagine que um time é o mais vencedor do seu país, com grande vantagem sobre os demais e, em um espaço de trinta anos é capaz de não conquistar mais nenhum título, mesmo mantendo boa parte de seu poder institucional, midiático e financeiro. Justamente no período em que o campeonato nacional se reformula e atrai os olhos do mundo pela competitividade e qualidade do espetáculo.

Assim vê um rival entrar numa era de conquistas e ultrapassá-lo em títulos. Para aumentar a vergonha, times outrora pequenos precisam apenas de dinheiro para se tornarem grandes e um deles, menor ainda, nem necessita de um grande mecenas para faturar sua taça e entrar para a história.

Esta é a realidade do Liverpool. Clube tradicional, representante de um futebol "raiz". Com torcida apaixonada, do tocante "You'll Never Walk Alone" em Anfield Road. Carisma puro, ainda mais agora com uma figura como Jurgen Klopp no comando técnico. Por isso o vexame de não conquistar o Campeonato Inglês desde 1989/90, nenhuma edição da Premier League, a grande revolução do futebol no país, é algo que muitos tentam minimizar ou mesmo ocultar. Vendo o Manchester United na Era Ferguson se tornando o clube mais vezes campeão, Chelsea e Manchester City se transformarem em grandes vencedores e marcas mundiais e até o minúsculo Leicester City fazer a festa.

Sim, a campanha na temporada passada foi a melhor da história dos Reds, a terceira de todos os tempos. De campeão, não fosse o ponto a mais do também histórico City de Pep Guardiola. No ano do título da Liga dos Campeões que não vinha desde 2005. Neste caso, a frustração nacional de fato pode ser relativizada. Mas antes, não. Era apenas a simpatia que protegia o Liverpool de críticas mais pesadas ao redor do mundo, tirando uma reclamação aqui, uma provocação acolá…Especialmente em 2013/14 com o título perdido para o City e tendo como grande símbolo a falha grotesca do ídolo Steven Gerrard na derrota para o Chelsea que "ressuscitou" os citizens.

Mas parece que está chegando a hora de encerrar esse jejum tão incômodo. O Liverpool de Klopp inicia a EPL com oito vitórias. Algumas com aquele cheiro de campeão, como nas duas últimas rodadas, arrancadas à forceps sobre Sheffield United (1 a 0) e Leicester (2 a 1). Jogando mal e com mais sorte que juízo. Além disso, vê o grande concorrente City já perder oito pontos. Uma oscilação incomum pensando nas duas últimas temporadas.

É óbvio que não há nada decidido na Inglaterra. Questão de matemática simples: ainda faltam trinta jogos! Mas, segundo a própria "Lei de Guardiola", uma liga se perde nas oito primeiras rodadas. Palavras de quem venceu sete campeonatos por pontos corridos em dez anos de carreira, com direito a um ano "sabático". Se o City do próprio Pep vacilou e parece ser o único real candidato ao título além do Liverpool, numa espécie de campeonato à parte, o que sobra? A forte equipe de Jurgen Klopp. Mesmo em um calendário mais pesado desta vez, emendando o Mundial de Clubes com o período de jogos seguidos na virada para 2020.

Mas Klopp  mantém a base vencedora e trabalha para afinar ainda mais a sintonia do trio desequilibrante Salah-Firmino-Mané. Apostando em mais solidez defensiva e momentos de posse de bola para alternar com a intensidade máxima. Ainda assim fazendo jogos "malucos", típicos da Premier League com transições em cima de transições, ataques e contragolpes. Aparentemente com um foco maior no campeonato nacional, já que vem de duas finais e um título na Champions.

Pura vertigem para alimentar o sonho da conquista. Mesmo em análise um tanto prematura, ele nunca pareceu tão perto. Para acabar com esse jejum vergonhoso, uma espécie de "vexame oculto". De quem não caminha sozinho e, por isso, é blindado em tantos momentos.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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