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Primeira vitória do Cruzeiro como visitante reforça queda do Corinthians

André Rocha

19/10/2019 21h17

Os gols do Cruzeiro na Arena em Itaquera não foram exatamente construídos: mais um pênalti marcável, porém do tipo que exige que o defensor não tenha braços – Bruno Méndez, no caso, em disputa com Marquinhos Gabriel. Depois o lance de pura sorte, com Fagner tocando para trás em dividida e a bola chegando ao volante Ederson,  voltando lentamente para o seu posicionamento. Posição legal pelo toque do adversário, drible no goleiro Walter e bola nas redes.

Na jogada bem engendrada no primeiro tempo, o cruzamento de Marquinhos Gabriel encontrou Fred livre, mas o camisa nove, que converteu o pênalti que empatou o jogo, perdeu chance ainda mais cristalina. Abel Braga novamente armou a equipe resgatando o desenho de Mano Menezes: um 4-2-3-1 com Robinho como "ponta armador" pela direita, Marquinhos Gabriel voltando pela esquerda formando duas linhas de quatro sem a bola e dando liberdade a Thiago Neves para se aproximar de Fred.

Mas com a agressividade que o contexto exige dentro da luta para fugir do Z-4. A mesma demonstrada na vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo na quarta-feira, a primeira com Abel, que nitidamente transformou o ambiente, tirou o peso. Superando até a lesão de Dedé logo no início da partida.

O Corinthians vai na direção contrária. Desde o triunfo sobre o Vasco, já são cinco rodadas sem vencer. Consequência da queda no desempenho, que já não era bom, e gera pressão e críticas. Mesmo sem perder posições na tabela, o que pode acontecer nesta 27ª rodada. Fabio Carille admite o problema, mas sofre para encontrar soluções. Segue dependendo demais da dupla Fagner-Pedrinho e o gol do lateral parecia o início da construção de mais uma vitória magra, no limite.

O trabalho defensivo, porém, vem perdendo solidez e ficou ainda mais prejudicado pelas ausências dos suspensos Cássio e Gil, mais Manoel vinculado ao Cruzeiro. Não exatamente pelos gols sofridos, mas por conta da instabilidade que aumentou com os desfalques, mas já fez a equipe ser vazada em quatro partidas seguidas: dois de Athletico, Goiás e Cruzeiro, um do São Paulo. Sequência inédita no campeonato que coloca em risco o G-4.

Difícil vislumbrar uma evolução imediata. Talvez a semana "cheia" para trabalhar, artigo raríssimo nos últimos tempos, possa ajudar. Mas a confiança está abalada e as mudanças seguidas na formação, compreensíveis pelo fraco rendimento, também complicam o ajuste do modelo que sofre para criar espaços e desarticular a marcação adversária.

Melhor para o Cruzeiro, que respira. Dorme fora do Z-4 e torce para que Ceará e CSA não vençam como visitantes Bahia e Botafogo, respectivamente. Ainda pode encostar no Fluminense, que encara o líder Flamengo. A primeira vitória como visitante na competição chega como esperança no meio do caos.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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