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Atuação fraca do River Plate finalista é esperança para brasileiros

André Rocha

22/10/2019 23h58

Sim, era semifinal de Libertadores. No maior clássico do continente, reeditando a final da edição passada. Na sempre mítica Bombonera. Definitivamente, não era um jogo qualquer.

Mas o River Plate é muito mais equipe que o Boca Juniors. Mesmo com o time xeneize liderando o Argentino ao lado dos Argentinos Juniors, três pontos à frente do grande rival.  O trabalho de Marcelo Gallardo é mais longo e qualificado e isso ficou claro no Monumental de Nuñez, quando "Los Millonarios" se propuseram a jogar.

O River achou que poderia controlar o jogo recuando linhas na execução do 4-1-3-2 e negando espaços para a construção do time da casa. Mas que construção? O Boca de Gustavo Alfaro vive das ligações diretas para Ábila, desta vez assessorado por Carlos Tévez, escalado de início para aproveitar experiência e liderança. O meia Mac Allister é bom jogador, mas ou recuava para lançar ou olhava a bola passar por cima diretamente da defesa para a referência na frente.

Um jogo muito pobre que o time de Gallardo permitiu sem pressão no campo de ataque, valorização da posse de bola ou contragolpes bem engendrados para aproveitar o desespero de quem precisava reverter uma desvantagem de dois gols. O River só quis fazer o tempo passar. E correu riscos demais.

O Boca Juniors levantou 28 bolas na área do rival e efetuou nada menos que 63 lançamentos! E pior: o River respondeu com as mesmas 63 bolas longas! Mais 55 rebatidas! Permitiu 17 finalizações, sete no alvo. A mais bem sucedida em uma das muitas bolas levantadas que Zárate e Hurtado, substitutos de Almendra e Ábila, se atrapalharam, mas o atacante venezuelano empurrou para dentro.

Gallardo tentou qualificar o ataque com Pratto e Scocco, mas o atual campeão sul-americano parecia disposto a não jogar, como se tentar praticar futebol fosse um risco. Acabou perdendo a invencibilidade nesta edição e encerrou uma série de cinco superclássicos sem derrota. Muito pouco para o que esta equipe histórica que conquistou treze títulos em cinco anos já produziu.

Um sopro de esperança para Flamengo e Grêmio. Ainda que Bombonera não seja o campo neutro que será o Estádio Nacional de Santiago, no Chile, e independentemente do adversário brasileiro, não haja tanta rivalidade envolvida a ponto de tornar a tensão tão sufocante, de cortar o ar. A volta da semifinal, porém, deixou claro que o River é forte e o favorito natural na decisão. Mas em final única outra atuação fraca como esta pode custar muito caro.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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