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Messi continua mascarando a mentira que é o Barcelona de Valverde

André Rocha

23/10/2019 18h29

Lionel Messi se lesionou na pré-temporada, recuperou, voltou a se contundir e o Barcelona mostrou toda sua dependência ao ficar temporariamente de fora da zona de classificação para a Liga dos Campeões no Espanhol e, com Messi saindo do banco, empatou sem gols com o Borussia Dortmund na estreia do torneio continental. Também foi derrotado pelo Granada por 2 a 0. Voltou desde o início na virada sobre a Internazionale, marcando o gol da vitória, mas voltou a se contundir na vitória sobre o Villareal por 2 a 1.

Retorno na goleada sobre o Sevilla (4 a 0) e, enfim, uma sequência contra Eibar (3 a 0) e os 2 a 1 sobre o Slavia Praga. Vitórias como visitante que restabelecem a verdade, ou a realidade, do Barça na temporada. É líder de La Liga e também do duro Grupo F da Champions. Com gols em todas as partidas do gênio e atual The Best da FIFA. Já tem três gols e o mesmo número de assistências em cinco aparições desde o início.

Impressionante como o camisa dez consegue mascarar a mentira que é a equipe comandada por Ernesto Valverde já há duas temporadas. Mesmo com Frenkie De Jong reoxigenando o meio-campo na função que era de Rakitic: o meia pela direita que dá suporte ao lateral direito atacando e defendendo para dar liberdade a Messi.

Griezmann tenta se readaptar ao lado esquerdo, se sacrificando até no retorno para ajudar Jordi Alba na recomposição. E os veteranos Piqué, Busquets e Suárez oscilam e muitas vezes comprometem a intensidade em alto nível, além de Messi que participa pouco sem a bola.

Mas com ela o argentino segue fazendo a diferença. Ou carregando o time nas costas mesmo. Recua, pensa, articula, arranca, serve ou finaliza. Várias vezes no jogo, ainda que não tenha alcançado a excelência do "padrão Messi". Por mais que se entenda que uma equipe dependa do talento de um dos melhores da história do esporte, Valverde poderia fazer mais e melhor.

O Barcelona sofre mais do que poderia com o potencial de seu elenco, inclusive em Praga contra o time mais fraco do grupo – em mais um lamentável caso de racismo contra Semedo e ameaças ao colega Marcelo Bechler no estádio. Menção honrosa a Ter Stegen, outro que vem compensando os muitos problemas coletivos com defesas espetaculares. E o conservadorismo de Valverde fez o jovem Ansu Fati perder o espaço que ganhou com desempenho no campo. Difíci entender.

Só não é nada complicado constatar o óbvio: só Messi para fazer de uma equipe instável e descoordenada a força competitiva no país e no continente capaz de brigar pelos títulos. Mas até quando o melhor do mundo resiste?

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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