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Na última lista de um ano complicado, Tite opta por renovação sem polêmica

André Rocha

25/10/2019 12h21

Enfim, o óbvio. Em uma reta final de temporada, se o calendário brasileiro não pára, qual a razão de convocar jogadores atuando aqui, muitas vezes apenas para treinar e sentar no banco, nenhum minuto em campo? É só para criar polêmica e teorias da conspiração. E tomar pancada, claro.

Tite parece ter entendido quando respondeu a uma pergunta sobre Gerson, do Flamengo. Na linha: "vocês pedem, aí eu convoco e depois querem me pegar". Tão claro, não? Para que se expor por tão pouco?

Por isso a lista "estrangeira", a última do ano, para os amistosos contra Argentina e Coreia do Sul. Sem Neymar e com o necessário toque de renovação para uma seleção estagnada e que precisa competir logo depois da "ressaca" da Copa América. Daniel Fuzato, da Roma, para treinar e se ambientar com Alisson, de volta, e Ederson.

Emerson, do Betis, para ganhar vivência e olhar, do lado oposto, o exemplo de Renan Lodi, um dos poucos que se salvaram da última data FIFA e que deve se tornar titular, mesmo jovem e com pouco tempo na Europa. Até por necessidade da equipe, que precisa de opção de ultrapassagem pela esquerda. Douglas Luiz do Aston Villa pode até ganhar alguns minutos no meio-campo. É mais um que joga de área a área para ser testado na missão de entregar dinâmica ao trabalho entre as intermediárias.

E Rodrygo na frente, além do retorno de David Neres. Ganhou chances com Zidane, por que não de Tite em um ataque também precisando de um "fato novo"? Pode contribuir com boas infiltrações em diagonal e técnica nas finalizações – melhor que Vinicius Júnior, inclusive.

O restante mantém a base, importante em qualquer processo, mesmo em momentos complicados. Sem Daniel Alves, vai Danilo. O "buraco" pela direita segue. Assim como na criação, com Philippe Coutinho já sendo questionado no Bayern de Munique. Eis o gargalo. Por que não experimentar um 4-3-3 à la Liverpool, com um volante, dois "box-to-box" alinhados, Firmino recuando para pensar e dois ponteiros se movimentando e buscando as diagonais?

É tentar melhorar o desempenho, conseguir os resultados para aliviar a pressão, especialmente contra os argentinos em ascensão e também renovando, e fechar 2019 com serenidade para, enfim, competir no ano que vem com as Eliminatórias. Ninguém aguenta mais esses jogos valendo nada em sedes "alternativas".

Simplificar para minimizar erros e depois buscar soluções mais complexas. Para Tite respirar e seguir. Porque ele é mais um pressionado pelo sucesso de Jorge Jesus e um olhar geral mais simpático a treinadores estrangeiros. O (ainda) melhor brasileiro no ofício precisa dar respostas. E rápido.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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