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Com Bruno Henrique ligado é mais difícil resistir ao Flamengo

André Rocha

03/11/2019 18h29

Difícil precisar se Bruno Henrique estava esgotado ou disperso nos jogos contra CSA e Goiás, depois da descarga emocional e por atuar no limite físico nos históricos 5 a 0 sobre o Grêmio. Mas o fato é que o atacante, exceto por escorar para Rodrigo Caio marcar o segundo gol sobre o Goiás, errou muito e foi bem menos participativo.

Mas bastou assumir a responsabilidade de substituir Gabriel Barbosa no centro do ataque, com Reinier entrando na frente no 4-1-3-2 móvel do Flamengo, para Bruno Henrique despertar e chamar para si o protagonismo no Maracanã. E com o camisa 27 ligado o líder do Brasileiro fica muito mais forte.

Apesar da impressionante concentração defensiva do Corinthians no primeiro tempo, lembrando os melhores momentos dos últimos anos. Ora no 4-1-4-1 com Pedrinho voltando pela direita e Ramiro fechando por dentro, ora no 4-2-3-1 com Pedrinho centralizando mais próximo de Gustavo na frente. Finalizando mais que o rival carioca nos primeiros minutos e criando problemas ao explorar os espaços às costas da última linha defensiva do Flamengo. Gustavo fez Diego Alves trabalhar.

Porque a equipe de Jorge Jesus pressionava pouco o adversário com a bola e não conseguia criar espaços. Dava a impressão de que seria a repetição da baixa intensidade das duas últimas partidas, mas nos últimos 15 minutos aumentou a rotação, a posse de bola foi ficando mais efetiva e o volume de jogo mais sufocante.

Até o pênalti de Cássio sobre De Arrascaeta. Em um ataque que não daria nem nada, mas efetivamente o goleiro tocou no pé do uruguaio. Bruno Henrique não é o cobrador oficial e nem bateu mal, mas Cássio fez bela defesa. Só que a tarde começava a sorrir com o rebote caindo nos pés do atacante para abrir o placar.

Com o Corinthians zonzo e, enfim, cedendo espaços entre os setores, Gerson ganhou de Ralf e encaixou passe primoroso para Bruno Henrique infiltrar livre e tocar na saída de Cássio. E a intensidade não diminuiu na volta do intervalo. Com 23 segundos, arrancou como ponteiro em diagonal a partir da esquerda e tocou na saída do goleiro corintiano.

Três a zero e Vitinho na vaga de Reinier. Um natural relaxamento e o espaço para Fagner acionar Pedrinho no lado forte do time de Fabio Carille e o cruzamento da direita encontrar Mateus Vital nas costas de Rafinha, que ficou com Junior Urso. Depois um pênalti de Everton Ribeiro não marcado pelo árbitro Jean Pierre Gonçalves de Lima. Mais uma infração marcável porque as novas orientações da FIFA parecem exigir que os jogadores não tenham braços dentro da própria área – este que escreve não marcaria também, pela pequena distância entre o rubro-negro e o adversário na disputa da bola.

Foi a senha para o Flamengo retomar intensidade e atenção. E Vitinho, que havia perdido uma oportunidade livre em infiltração pela esquerda bem parecida com a de Bruno Henrique no segundo gol, tirou da cartola uma de suas finalizações improváveis para resolver o jogo de vez. O Corinthians lutou com dignidade, mas poucos recursos. Quando precisa trabalhar a bola sofre demais. Ainda perdeu Cássio, lesionado. Com a goleada, Carille acabou demitido do comando técnico logo após o apito final.

O Flamengo deu minutos a Diego Ribas e descansou Rafinha, que sentiu o rosto em disputa com Gil. Rodinei desta vez não comprometeu, nem havia como…O resto foi posse de bola rubro-negra (66%) administrando os 4 a 1 já pensando no Botafogo, jogo da quinta-feira no Estádio Nílton Santos. Mais um no Rio de Janeiro, sem desgaste de viagem. Provavelmente descansando mais dois jogadores e Gabriel, suspenso, e Filipe Luís, que ficou no banco, desta vez em campo.

Se Jorge Jesus decidir poupar Bruno Henrique será uma boa recompensa ao jogador mais decisivo da melhor equipe do país. Mas o recomendável é deixá-lo no banco para qualquer emergência. Porque quando o vice-artilheiro do Brasileiro com 15 gols entra ligado é bem mais difícil resistir ao Flamengo que mantém os oito pontos na dianteira do campeonato.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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