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Ninguém está pronto aos 18 anos, mas Rodrygo sempre foi "tipo exportação"

André Rocha

06/11/2019 19h29

É injusto comparar Rodrygo com Vinicius Júnior porque ninguém está pronto aos 18 ou 19 anos e jovens não reagem igualmente à precocidade que faz pular etapas nas divisões de base. O Real Madrid investiu pensando no futuro, vejamos como se dará a evolução dos dois.

Mas era nítido desde o início que para jogar no maior clube europeu antes dos 20 anos a joia revelada no Santos estava mais pronta. Porque desde as primeiras aparições entre os profissionais do alvinegro praiano o atacante mostrou que era do "tipo exportação".

A rapidez, a habilidade e a capacidade de mudar de direção que são típicas dos brasileiros e tanto agradam os europeus estavam lá, mas também a técnica, boa visão periférica, leitura de espaços, senso coletivo e, principalmente, a calma para buscar o melhor acabamento para as jogadas, seja finalização ou assistência.

E ainda um contexto favorável em relação à equipe comandada por Zinedine Zidane nesta temporada: rende também atuando pela direita, encaixando o ataque com Benzema no centro e Hazard pela esquerda. Vinicius Júnior, por exemplo, sempre foi melhor do lado oposto. E aí a concorrência fica bem complicada.

Pela direita, por dentro e pela esquerda. Com a canhota, depois de cabeça, por fim a destra. Posicionamento perfeito, sensibilidade para atacar os espaços em diagonal e entrar na área para cabecear. Três gols, os primeiros pela Liga dos Campeões na carreira. Ainda assistência para Benzema. Ajudando o time merengue a tornar fácil o jogo contra o Galatasaray no Santiago Bernabéu. Seis a zero.

Tudo com incrível naturalidade, simplificando as jogadas. É óbvio que nem sempre será assim, a transição nunca é simples e as oscilações são mais que compreensíveis. Mas Rodrygo sempre se mostrou acima da média, especialmente dentro das valências que são importantes no mais alto nível. Com inteligência e personalidade, qualquer adaptação fica mais fácil.

Mas sem pressa, nem julgamentos definitivos. Apenas os elogios merecidos por uma atuação de gente grande com uma camisa pesadíssima dentro do maior torneio de clubes do planeta. Não é pouco.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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