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Enfim, a grande atuação do Liverpool absoluto na Inglaterra

André Rocha

10/11/2019 15h24

O Manchester City vai questionar por muito tempo o lance que terminou no primeiro gol do Liverpool em Anfield. Mas tecnicamente o toque na mão de Bernardo Silva anularia o ataque que, na sequência, teve um pênalti cometido por Alexander-Arnold. No contragolpe pela esquerda, bola mal rebatida por Gundogan e gol de Fabinho.

O atual bicampeão inglês também pode lamentar a ausência do goleiro Ederson e a presença de Bravo logo no jogo mais importante hoje na Inglaterra. Mais um "elo fraco" de um sistema defensivo pouco sólido para cruzar com o trio de ataque mais letal da Europa: Salah, Firmino e Mané.

Nada diminui, porém, a grande atuação do Liverpool na temporada 2019/20. Dentro da proposta de pressão no campo de ataque, inversões para os laterais Arnold e Robertson e o acionamento rápido de Salah e Mané aproveitando os espaços deixados com o recuo de Firmino. Tudo muito conhecido e certamente dissecado por Pep Guardiola, mas desta vez executado com excelência. Entendendo o tamanho do duelo, ainda mais em seus domínios.

O segundo gol foi o símbolo: inversão da direita para Robertson e cruzamento do lateral encontrando Salah do lado oposto. No terceiro não houve a vantagem da inversão rápida, a jogada foi criada pela direita até o cruzamento de Henderson, Walker e Bravo vacilarem e Mané completar de cabeça. A última linha dos citizens contribuiu com as fragilidades de Walker, Stones, Fernandinho e Angeliño, escalado pela esquerda por conta das ausências de Zinchenko e Mendy.

Mas é claro que um time de Guardiola, com grande volume de jogo, não passaria 90 minutos sem ter momentos de domínio e também boas oportunidades. Em uma variação de 4-2-3-1 e 4-4-2, De Bruyne jogou mais solto, próximo de Aguero, que teve noite infeliz em Anfield, desperdiçando oportunidades. Sem contar a pressão da torcida sobre Sterling, ex-atacante do Liverpool com saída polêmica. Ainda assim, o City finalizou 18 vezes, diminuiu para 3 a 1 com Bernardo Silva e terminou com 55% de posse de bola, além da pressão sufocante nos minutos finais. Continua sendo um timaço.

Mas são 29 jogos de invencibilidade da equipe do Jurgen Klopp na liga. Apenas uma derrota em 51 partidas. Um time decidido a fazer ainda mais história e encerrar o jejum de 29 anos. Abrindo nove pontos sobre o City e agora vendo Leicester City e Chelsea um ponto mais próximos.

Apenas o empate com o United no Old Trafford. Algumas vitórias conquistadas à forceps, devendo no desempenho, mas demonstrando força e capacidade de competir. No jogo mais importante até aqui, os Reds sabiam que não poderiam entregar menos que o máximo em técnica, tática e intensidade. Mais uma prova de que o campeão europeu quer se impor também nos pontos corridos. Nunca pareceu tão preparado.

(Estatísticas: BBC)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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