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Palmeiras treina por uma semana para quase nada. Boa campanha, pouca bola

André Rocha

17/11/2019 18h29

O Palmeiras tinha um cenário favorável na rodada para retomar a disputa pelo título. Uma semana de preparação, o líder Flamengo empatando jogo antecipado e escalando muitos reservas em Porto Alegre contra o Grêmio por conta da final da Libertadores. Sem contar o Bahia em má fase, seis rodadas sem vencer – quatro derrotas, dois empates.

E o que se viu na Fonte Nova foi mais do mesmo. Uma equipe pragmática e persistente, que não se entrega e busca a vitória durante os noventa minutos, porém com repertório limitado demais. Basicamente bola no Dudu, especialmente nos minutos finais. Mérito do ponteiro alviverde, melhor do último Brasileiro, um atleta que se cuida muito para jogar sempre.

Mas é muito pouco para tamanho investimento. Ainda que a ausência de Felipe Melo, com desconforto muscular, sempre pese na saída de bola – apesar da atuação até correta de Thiago Santos. A equipe toca, inverte o lado, tenta as combinações pelos flancos, movimenta o trio de meias do 4-2-3-1 habitual: Dudu, Gustavo Scarpa e Zé Rafael, Lucas Lima e Willian entraram no segundo tempo. Mano Menezes também trocou Deyverson por Borja.

Até consegue as oportunidades para ir às redes, mas a chance cristalina na jogada bem construída é muito rara. Mesmo com 54% de posse e 21 finalizações, seis no alvo. O Bahia nem foi compacto no 4-1-4-1 de Roger Machado, nem intenso na pressão sobre o adversário com a bola e nas transições ofensiva e defensiva. A confiança está lá embaixo e não há muito mais por que lutar na competição.

Achou um gol no primeiro tempo com a falta de Arthur Caike mal cobrada, porém furando a barreira para sair do alcance de Weverton. Gilberto segue no jejum que chega a 12 partidas, Fernandão entrou e pouco acrescentou no ataque. E mesmo com o estádio morno como o jogo, o Palmeiras não arrancou o gol da vitória depois de empatar com Borja.

Por mais que a informação do gol de Gabriel Barbosa sobre o Grêmio fosse desanimadora, havia muito tempo para reviravoltas nas partidas. O Palmeiras parece consciente que não há consistência para a arrancada espetacular em busca do "milagre". O aproveitamento de quase 69% daria título em outras temporadas, sim. Mas no contexto de 2019 está claro que é insuficiente. Boa campanha, mas pouca bola. Uma semana de treinamentos para quase nada.

A temporada deve terminar sem conquistas. Direção e Mano Menezes têm muito a refletir e planejar para fazer diferente em 2020. O sarrafo subiu e é preciso evoluir. As soluções dos últimos anos não resolvem mais.

(Estatísticas: Footstats)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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