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Qual José Mourinho volta ao futebol para suceder Pochettino no Tottenham?

André Rocha

21/11/2019 08h59

Imagem: Reprodução / Sky Sports

O desgaste após cinco anos e meio empurrou Mauricio Pochettino para fora do Tottenham. O treinador argentino que já na temporada passada, mesmo chegando à final da Liga dos Campeões, já deixava transparecer a insatisfação por ser cobrado pela excelência do próprio trabalho, evoluindo jogadores como Harry Kane e Son, e não conseguir mudar de patamar com uma grande conquista.

Muito por conta da resistência da diretoria de ir ao mercado com mais agressividade, mesmo com o novo estádio já em funcionamento e não necessitando  dos investimentos que antes inviabilizavam mais contratações.

O péssimo início de temporada, com eliminação da Copa da Liga Inglesa para o Colchester United, time da quarta divisão, o aproveitamento ridículo na Premier League – 39% dos pontos e apenas a 14ª colocação – e a irregularidade na Champions, com direito a uma goleada histórica em casa para o Bayern de Munique por 7 a 2, custou caro e precipitou a saída.

Apesar da demissão, Pochettino tem mercado para permanecer na Europa, ainda mais depois de decidir a última Liga dos Campeões. A relação com o Espanyol e a cultura do Barcelona de não demitir treinador no meio da temporada devem impossibilitar um retorno a Catalunha neste momento.

Talvez Bayern de Munique, que demitiu Niko Kovac ou até o Manchester United, com Ole Solksjaer sempre parecendo balançar. Seleção argentina? Com a efetivação de Lionel Scaloni e a nítida evolução da albiceleste parece improvável no momento. Até porque quem chega ao alto nível da Europa não costuma se deixar seduzir por seleções.

Chega José Mourinho, quase um ano depois de ser demitido do Manchester United. Contrato até 2023. Uma recolocação no mercado como o português desejava, ainda dentro da Premier League. Por isso recusou a proposta do Lyon, mesmo revelando publicamente enorme incômodo por estar parado, longe da rotina de um clube.

A contratação deixa claro que os Spurs querem títulos e relevância. Inclusive midiática, com a presença de um técnico popstar e que atrai muitas atenções para si. Mesmo em passagem conturbada, Mourinho deixou os Red Devils com três conquistas: Liga Europa, Copa da Liga Inglesa e Supercopa da Inglaterra. Com a Copa da Inglaterra 2015/16 sob o comando de Van Gaal, as únicas depois da Era Alex Ferguson.

Mas qual Mourinho volta ao futebol? O que peca no mais alto nível pelo exagero na proposta defensiva e se desgasta até a exaustão na gestão de elenco? Ou um redivivo, que teve tempo para ver futebol, refletir, sofrer pela perda do protagonismo para Jurgen Klopp na rivalidade com Pep Guardiola e, inteligente, agora se propor a rever alguns pontos em suas ideias e seus métodos de jogo?

Se mantiver a versatilidade da equipe londrina – capaz de dominar pela posse, mas também protagonizar duelos intensos e alucinantes com os gigantes ingleses – e adicionar sem exageros a consistência defensiva que fez falta, por exemplo, na decisão da Champions contra o Liverpool em Madrid, Mourinho pode, de fato, mudar o Tottenham de patamar.

Com mentalidade vencedora, mas sem esmagar os comandados pela pressão sufocante que exerce, normalmente escolhendo uma estrela do elenco como alvo para manter a autoridade sobre o resto, estratégia que nunca funcionou. Com 56 anos é hora de mostrar maturidade nas relações humanas. O grupo do Tottenham, mesmo com a reformulação que deve começar já na janela de inverno, em janeiro,  precisa dos estímulos certos para buscar as conquistas que faltam para marcar um período de transformação.

Parece a última chance para o português se mostrar ao mundo ainda como um profissional capaz de contribuir para a evolução do jogo que cada vez é mais adaptável às demandas dentro de um modelo bem definido. Exigindo dos atletas, sim, porém na dose certa, sem sobrecargas. Também sem o "ônibus" na frente da área que, pela velocidade do jogo, não consegue mais fechar todos os caminhos dos principais concorrentes.

José Mourinho virou aposta e o Tottenham está pagando para ver se a parceria rende frutos e taças. Que ambos saiam melhores do que estão entrando agora. Pochettino também, no novo desafio que deve aparecer muito em breve. O futebol só tem a ganhar.

 

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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