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City está mal, mas errar demais em Manchester ainda é fatal. Chelsea pagou

André Rocha

23/11/2019 16h40

O plano de jogo do Chelsea para encarar o Manchester City no Etihad Stadium era óbvio e adaptado às características da equipe de Frank Lampard e ao contexto. Um 4-1-4-1 concentrado defensivamente e apostando em transições rápidas com o jovem Abraham na referência móvel e Willian e Pulisic pelas pontas.

Jorginho era o responsável por comandar a saída de bola, mesmo com a pressão habitual na perda do time de Pep Guardiola. Curiosamente, deu muito certo até abrir o placar na infiltração de Kanté, que aproveitou o vacilo de Mendy na cobertura da esquerda para dentro e finalizou na saída de Ederson.

Depois desconcentrou. Ou não acreditou que seria possível vencer fora de casa o atual bicampeão inglês em um início de trabalho do treinador-ídolo. A hesitação deu sobrevida a um City que vem oscilando demais em desempenho e se reflete nos resultados, ficando atrás na tabela não só do Liverpool líder absoluto, mas também do surpreendente Leicester City e do próprio Chelsea no início da rodada.

Os donos da casa começaram bem, com as combinações entre o quinteto ofensivo que, mais uma vez, teve Kevin De Bruyne como o grande destaque individual. Se juntando a David Silva nas articulações por dentro, mas também fazendo movimentos em "x", procurando os espaços nas pontas com a movimentação de Mahrez, canhoto pela direita, e Sterling, destro à esquerda, cortando para dentro. Assim o belga finalizou com perigo logo no início.

Acabou achando o empate em falha de Jorginho com os Blues ocupando o campo de ataque. Dando ao City o que ele mais precisava: espaços generosos para acelerar. Transição rápida e a felicidade do meia no chute que desviou em Zouma que saiu do alcance de Kepa.

A senha para os citizens ganharem confiança. Mesmo com muitos erros, mas induzindo o rival a se equivocar também. Até Mahrez fazer sua jogada característica, cortando para dentro a partir da direita, e ninguém bloquear – Emerson e Kovacic falharam. Virada que poderia ter o placar ampliado em falha grotesca de Kepa e Aguero não aproveitando.

Segundo tempo de mais controle que brilho do time de Guardiola. Com Gundogan, Foden e Gabriel Jesus nas vagas de Rodrigo, David Silva e Aguero. De Bruyne cansou, porém manteve a qualidade na construção. O Chelsea tentou reagir e atacar com James no lugar de Emerson, com Azpilicueta indo para a lateral esquerda. Mais Batshuayi na vaga de Abraham e o jovem Mason Mount substituindo Jorginho e sendo o melhor do time na busca da reação. Difícil entender a opção de Lampard por Pulisic na formação inicial.

Virada do time azul de Manchester com apenas 47% de posse, mas 15 finalizações contra 11 dos Blues. Sem brilho, mas conquistando três pontos fundamentais para não deixar o Leicester abrir vantagem na segunda colocação e não perder de vez o contato visual com o Liverpool, esperando uma queda do time de Jurgen Klopp em um dezembro complicado.

Para o Chelsea fica a lição de um duro revés. Mesmo com o City em má fase não se pode errar tanto. Ainda é fatal.

(Estatísticas: BBC)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.